Cibersegurança

Recorded Future aposta no Brasil para liderar expansão na América Latina e reforça inteligência cibernética para setores regulados

Com investimento de US$ 6 milhões na região, empresa amplia operação, estrutura equipe dedicada à América Latina e mira organizações que precisam transformar inteligência contra ameaças em capacidade operacional permanente

O crescimento da inteligência artificial, da computação em nuvem e da digitalização dos negócios está ampliando a superfície de ataque das organizações ao mesmo tempo em que reguladores elevam o nível de exigência sobre a capacidade de prevenir, detectar e responder a incidentes cibernéticos. Nesse cenário, o Brasil tornou-se peça central da estratégia latino-americana da Recorded Future.

A empresa anunciou um investimento de US$ 6 milhões para fortalecer sua presença na América Latina, com foco especial no mercado brasileiro, considerado um dos mais estratégicos da região. A iniciativa contempla a ampliação da operação comercial, reforço da estrutura técnica, expansão do ecossistema de parceiros e consolidação de uma estratégia voltada principalmente para empresas de setores altamente regulados, como instituições financeiras, telecomunicações, energia, governo e infraestrutura crítica.

A movimentação ocorre em um momento em que a cibersegurança deixa de ser tratada apenas como um tema operacional e passa a ocupar espaço nas agendas de governança corporativa e conformidade regulatória. Segundo a própria empresa, o objetivo é oferecer uma plataforma capaz de transformar inteligência contra ameaças em decisões práticas para as equipes de segurança.

Inteligência como operação, não apenas informação
Diferentemente das plataformas tradicionais, que normalmente concentram informações em diferentes ferramentas, a Recorded Future reúne quatro frentes em um único ambiente operacional baseado no Intelligence Graph®:

  • Operações Cibernéticas (Cyber Operations);
  • Proteção contra Riscos Digitais (Digital Risk Protection);
  • Gestão de Riscos de Terceiros (Third-Party Risk);
  • Inteligência contra Fraudes em Pagamentos (Payment Fraud Intelligence).

A proposta é permitir que organizações consigam antecipar ataques, identificar vulnerabilidades, monitorar riscos envolvendo fornecedores e combater fraudes financeiras utilizando uma base única de inteligência continuamente atualizada.

Segundo Daniela Pereira, Senior Manager Regional Sales da Recorded Future para Brasil e Argentina, o desafio atual já não é apenas reagir aos incidentes. “As organizações brasileiras estão ampliando rapidamente sua adoção de tecnologias digitais, mas esse movimento precisa ser acompanhado por uma evolução equivalente na capacidade de identificar, compreender e antecipar ameaças. Hoje, não basta responder a incidentes: é fundamental transformar inteligência em ação, permitindo que empresas tomem decisões mais rápidas, reduzam sua exposição a riscos e fortaleçam continuamente sua postura de segurança.”

Brasil vive nova fase da governança cibernética
A aposta da companhia acompanha um ambiente regulatório que se tornou significativamente mais rigoroso. Nos últimos anos, iniciativas como a Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber), a regulamentação da comunicação de incidentes pela ANPD e novas exigências do Conselho Monetário Nacional reforçaram a necessidade de demonstrar capacidade operacional contínua de inteligência e resposta a ameaças, e não apenas conformidade documental.

Ao mesmo tempo, cresce a adoção de tecnologias digitais nas empresas brasileiras. Dados citados pela Recorded Future mostram aumento do uso de inteligência artificial, computação em nuvem e Internet das Coisas, movimento que amplia também a exposição a riscos cibernéticos.

Para atender esse novo cenário, a plataforma produz evidências auditáveis que podem apoiar processos de conformidade regulatória, especialmente em setores supervisionados por órgãos como o Banco Central.

Inteligência produzida para a realidade latino-americana
Outro diferencial da estratégia regional é a produção local de inteligência. A empresa mantém um programa de analistas dedicado exclusivamente à América Latina, responsável por monitorar ameaças que circulam em português e espanhol, idiomas frequentemente pouco cobertos por plataformas desenvolvidas prioritariamente para o mercado anglófono.

Segundo Daniela Pereira, esse trabalho permite compreender melhor o comportamento de grupos criminosos que atuam especificamente na região. “Não se trata de relatórios traduzidos produzidos pela matriz nos Estados Unidos. São análises desenvolvidas especificamente para a realidade da América Latina”, comentou.

O Intelligence Graph®, base tecnológica da plataforma, reúne mais de 200 bilhões de nós de dados especializados, analisa diariamente mais de 1,5 milhão de amostras de malware e conta com aproximadamente 80 especialistas do Insikt Group, incluindo analistas dedicados exclusivamente ao monitoramento do cenário latino-americano.

Crescimento sustentado por parceiros
A expansão latino-americana também será apoiada por um modelo híbrido de comercialização. Além das vendas diretas, a companhia pretende ampliar sua atuação por meio de parceiros especializados e provedores de serviços gerenciados de segurança (MSSPs), adaptando a estratégia às características de cada mercado.

Hoje, a Recorded Future atende mais de 1.900 clientes em mais de 80 países e realiza uma série de apresentações em Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México para posicionar sua plataforma junto a organizações que operam sob forte pressão regulatória e elevado nível de exposição a ataques cibernéticos.

Quem lidera a operação brasileira
A expansão da empresa no Brasil é conduzida por Daniela Pereira, responsável pelas operações comerciais no Brasil e na Argentina.

Com trajetória em empresas do setor, a executiva acumula experiência em desenvolvimento de negócios, alianças estratégicas e expansão comercial no mercado latino-americano de cibersegurança. Também integra a WOMCY (LATAM Women in Cybersecurity), onde atua como voluntária em iniciativas voltadas ao fortalecimento da participação feminina no setor.

O investimento anunciado reforça a percepção de que o mercado brasileiro deixou de ser apenas consumidor de soluções de segurança para se tornar um dos principais polos estratégicos da indústria de inteligência contra ameaças na América Latina, impulsionado pela combinação entre transformação digital acelerada, maior maturidade regulatória e crescimento da demanda por operações de segurança baseadas em inteligência.

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