DE&I nas empresas esteve entre os temas debatidos no Mind Summit 2026, realizado nos dias 16 e 17 de setembro, em São Paulo
Transformações organizacionais, inteligência artificial e novas expectativas dos profissionais ampliaram o desafio das empresas de manter ambientes de trabalho capazes de combinar performance, pertencimento e segurança psicológica. Durante o Mind Summit 2026, realizado nos dias 16 e 17 de setembro, em São Paulo, lideranças empresariais discutiram por que diversidade e inclusão passaram a ocupar um espaço cada vez mais próximo da estratégia de negócios.
Logo no primeiro dia do evento, o tema esteve no centro do painel “A virada da diversidade: estratégias de inclusão para alavancar performance, engajamento e vantagem competitiva”, que reuniu Priscila Camara, managing director da BASF no Brasil e vice-presidente sênior de Petroquímicos; Ana Mocny, sócia de Capital Humano da Deloitte; e Reinaldo Costa, vice-presidente da Novo Nordisk. A conversa foi mediada por João Yosef Torres, CEO e cofundador da Mais Diversidade.
Durante sua participação, a dirigente da BASF defendeu que a diversidade deve ser incorporada como valor da organização, e não como resposta a pressões externas. A executiva destacou ainda o papel da liderança para que diversidade e inclusão deixem de depender apenas de programas ou estruturas específicas e passem a fazer parte da cultura das organizações. Para ela, ouvir as necessidades das equipes e criar referências consistentes é fundamental para que essa agenda se sustente no dia a dia.
“A liderança tem que ser o exemplo. Além disso, ela precisa acreditar, ver valor e resultado”, afirmou.
Ao relembrar experiências de seus 28 anos de trajetória na BASF, Priscila destacou o papel da segurança psicológica e de equipes formadas por diferentes gerações, experiências e perspectivas. A discussão se aprofundou quando o painel abordou os processos de transformação pelos quais muitas organizações vêm passando.
“A mudança é vivida por quem? Pelas pessoas. Quem é a parte mais impactada? É o colaborador”, disse Priscila.
Segundo ela, reconhecer as vulnerabilidades desses períodos e preservar um ambiente de apoio é fundamental para que os profissionais atravessem as mudanças com segurança, engajamento e capacidade de continuar contribuindo.
Nesse contexto, a executiva também apresentou indicadores sobre a percepção dos profissionais. Na América do Sul, 91% afirmam se sentir reconhecidos, respeitados e seguros para se posicionar dentro da empresa; no Brasil, o índice é de 88%. Para Priscila, mais do que o resultado numérico, esses dados funcionam como um termômetro da experiência das pessoas dentro da organização.
A relação entre inclusão e ambiente de trabalho também foi destacada pelo moderador.
“As pautas de diversidade e inclusão são pautas de humanização dos ambientes de trabalho”, afirmou João Yosef Torres durante o debate.
A conversa abordou ainda um desafio recorrente para as empresas: transformar iniciativas de diversidade em práticas efetivamente integradas à gestão. Ana Mocny destacou dados de uma pesquisa da Deloitte segundo os quais, embora a maioria das organizações reconheça a importância de conectar diversidade à estratégia, uma parcela significativamente menor consegue fazer essa integração de forma efetiva.
Ao final do painel, Priscila ampliou a reflexão para além das políticas corporativas e chamou atenção para o papel das lideranças e das organizações na disseminação desses valores.
“A diversidade nada mais é do que a somatória de diferentes competências que, juntas, trazem um resultado mais forte, maior, diferenciado, inovador”, afirmou.
E resumiu sua visão sobre o amadurecimento dessa agenda: “Quando o mundo entender o valor disso, não tem pauta, tem que fazer acontecer.”
O Mind Summit 2026 foi realizado nos dias 16 e 17 de setembro, em São Paulo, e reuniu especialistas, pesquisadores e executivos para discutir saúde mental, bem-estar, liderança, cultura organizacional e futuro do trabalho.









