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Ciberataques crescem 48% no Brasil e chegam a 4.174 por organização por semana

Relatório da Check Point mostra que país ficou bem acima da média global; ransomware acelerou e uso de IA generativa abriu uma nova frente para exposição de dados corporativos

O Brasil registrou, em agosto, uma média de 4.174 ataques cibernéticos por organização a cada semana, crescimento de 48% em relação ao mesmo mês de 2025. O número ficou 72% acima da média mundial, de 2.422 ataques semanais por organização.

Os dados fazem parte do relatório mensal da Check Point Research (CPR), divisão de inteligência em ameaças da Check Point Software, e mostram um cenário no qual diferentes vetores de risco avançaram simultaneamente.

No Brasil, o setor governamental permaneceu como o mais atacado, seguido por Energia e Serviços Públicos e Serviços Empresariais. Globalmente, além do aumento do volume de ataques, agosto registrou crescimento do ransomware e do phishing e uma preocupação relativamente nova: informações corporativas sensíveis sendo compartilhadas por meio de ferramentas de inteligência artificial generativa.

“Os dados de agosto mostram que o risco cibernético está crescendo em várias frentes ao mesmo tempo”, afirma Omer Dembinsky, gerente de Pesquisa de Dados da Check Point Research. “Os ataques estão aumentando, o ransomware está acelerando, o phishing continua sendo uma porta de entrada comum e a IA generativa abre uma nova frente para a exposição de dados. As equipes de segurança não podem depender de defesas fragmentadas. É preciso adotar uma proteção preventiva que reúna visibilidade, controle e automação em redes, nuvem, endpoints, e-mail e uso de IA para interromper ameaças antes que afetem as operações ou exponham informações sensíveis.”

América Latina continua como região mais atacada

O problema brasileiro acompanha uma pressão elevada sobre toda a América Latina.

A região permaneceu como a mais atacada do mundo em agosto, com média de 3.577 ataques por organização por semana, aumento de 25% em um ano.

A Europa, embora tenha apresentado um volume menor, registrou a maior aceleração: os ataques cresceram 28% na comparação anual e atingiram média de 2.155 por organização semanalmente.

África e Ásia-Pacífico também permaneceram em patamares elevados, com médias de 3.335 e 3.325 ataques semanais por organização, respectivamente.

Entre os setores, Educação continuou liderando globalmente, com 5.354 ataques semanais por organização, 28% a mais que em agosto de 2025. Governo apareceu em seguida, com 3.067, enquanto Turismo, Hotelaria e Lazer chegou a 3.056 e registrou crescimento anual de 56%.

IA generativa cria um novo problema para a segurança

Um dos pontos mais interessantes do relatório está menos relacionado a hackers tentando entrar nas empresas e mais ao que os próprios usuários podem estar enviando para fora delas.

O crescimento da utilização de ferramentas de IA generativa está criando uma nova superfície para vazamentos de informações corporativas.

Em agosto, um em cada 43 prompts enviados a ferramentas de IA generativa a partir de redes corporativas apresentou risco de exposição de dados.

Embora essa proporção tenha caído em relação aos meses anteriores, o volume de utilização continuou crescendo rapidamente. Cada usuário enviou, em média, 106 prompts durante agosto, contra 95 em julho e aproximadamente 78 em junho.

Ou seja, mesmo que proporcionalmente menos comandos apresentem risco, há cada vez mais interações acontecendo.

Entre as organizações que utilizam IA generativa regularmente, 86% foram afetadas por atividades relacionadas a prompts considerados de alto risco. Cada empresa utilizou, em média, sete ferramentas diferentes de IA.

Isso torna a governança mais complexa. Não basta saber que funcionários estão utilizando inteligência artificial. As equipes de segurança precisam entender quais plataformas estão sendo acessadas, quais informações estão sendo enviadas e se dados confidenciais, códigos, documentos ou outras informações proprietárias podem acabar em serviços externos.

Saúde lidera exposição de dados por prompts de IA

O risco também varia bastante entre os setores.

Saúde e Medicina registraram a maior taxa de exposição associada a prompts de alto risco, de 4%. Software apareceu em seguida, com 3,6%, e Serviços Empresariais, com 3,5%.

Regionalmente, a América Latina apresentou novamente o indicador mais elevado: 3,5%, contra uma média global de 2,3%.

O dado ganha relevância porque muitos desses segmentos trabalham com informações sensíveis ou reguladas. Uma ferramenta pública de IA generativa pode se transformar em um novo canal de saída de informações caso funcionários insiram nela dados que deveriam permanecer dentro do ambiente corporativo.

Um em cada 112 e-mails é phishing

Enquanto a IA cria novos problemas, um dos métodos mais antigos de ataque continua funcionando.

Em agosto, um em cada 112 e-mails foi classificado como phishing, piora em relação a julho, quando a proporção era de um para cada 128 mensagens.

E os criminosos estão apostando muito mais em links do que em arquivos anexados.

Segundo o levantamento, 72% dos e-mails de phishing continham links maliciosos, enquanto 14% utilizavam anexos.

A estratégia permite direcionar as vítimas para páginas destinadas ao roubo de credenciais ou à distribuição de malware e também facilita a alteração rápida das campanhas de engenharia social conforme surgem novos assuntos, eventos ou processos corporativos que possam funcionar como isca.

Ransomware quase dobra em um ano

Se o phishing continua sendo uma importante porta de entrada, o ransomware permanece como uma das consequências mais graves de uma invasão.

Foram identificadas 1.042 vítimas de ransomware em agosto, quase o dobro do registrado no mesmo período de 2025 e 8% acima de julho.

Serviços Empresariais concentraram 36% dos ataques reportados, seguidos por Manufatura e Indústria, com 13%, e Bens e Serviços de Consumo, com 12%.

A concentração em empresas de serviços também amplia o potencial de impacto. Organizações desse tipo frequentemente fazem parte da cadeia operacional de outras companhias, o que significa que um incidente pode afetar não apenas a vítima direta, mas clientes e parceiros dependentes de seus sistemas.

Entre os grupos de ransomware, o Qilin foi o mais ativo no período, respondendo por 15% dos ataques publicados. The Gentlemen apareceu com 10%, enquanto o Orova entrou entre os três primeiros com 4%.

A superfície de ataque ficou maior

Os números de agosto mostram que o desafio atual não está concentrado em uma única tecnologia.

O phishing continua explorando pessoas. O ransomware ameaça sistemas e operações. Vulnerabilidades permanecem como possíveis portas de entrada. E a adoção acelerada de inteligência artificial criou uma superfície adicional na qual o problema pode ocorrer mesmo sem uma invasão tradicional: o próprio usuário pode entregar informações sensíveis ao inserir dados corporativos em um prompt.

Com 4.174 ataques semanais por organização, o Brasil já opera sob uma pressão significativamente superior à média mundial. Ao mesmo tempo, o crescimento da IA generativa mostra que proteger a porta de entrada da rede deixou de ser suficiente. A segurança agora precisa acompanhar também os dados que circulam entre nuvens, dispositivos, e-mails e uma quantidade crescente de ferramentas de inteligência artificial.

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