Pesquisa do GPTW com empresas de São Paulo mostra avanço da participação feminina, maior permanência dos profissionais e diferenças nos níveis de inovação
A participação das mulheres entre os funcionários das empresas de São Paulo reconhecidas pelo Great Place To Work (GPTW) chegou a 43% em 2026, quatro pontos percentuais acima dos 39% registrados em 2025. O crescimento, entretanto, ainda não se reflete na mesma proporção nos cargos mais altos das organizações.
As mulheres ocupam 28% das posições de alta liderança e apenas 15% dos cargos de CEO. Os dados fazem parte da 8ª edição do Ranking das Melhores Empresas Para Trabalhar São Paulo, que contou com a participação de 1.006 empresas e alcançou mais de 1 milhão de profissionais.
O percentual feminino no quadro total é o maior dos últimos três anos. Em 2024, as mulheres representavam 36% dos profissionais das empresas analisadas. Depois do avanço para 43% em 2026, a diferença em relação à participação masculina caiu para 14 pontos percentuais.
Nos cargos de comando, porém, o movimento ocorre mais lentamente. A presença feminina na alta liderança permaneceu estável em 28%. Na média liderança, caiu de 34% para 33%, enquanto nas demais posições de gestão aumentou dois pontos percentuais, chegando a 42%.
Entre CEOs, houve avanço de cinco pontos percentuais em relação a 2025 e de um ponto na comparação com 2024. Ainda assim, mulheres ocupam somente 15% dessas posições nas empresas reconhecidas pelo levantamento.
Tecnologia está entre os setores com maior presença no ranking
As empresas reconhecidas pelo GPTW estão distribuídas por mais de 17 segmentos da economia paulista. Serviços Financeiros e Seguros aparecem na primeira posição, com 23 organizações, seguidos por Tecnologia da Informação, com 21, e Produção e Manufaturas, com 12.
Juntos, os três segmentos concentram mais da metade das companhias premiadas.
Na Região Metropolitana de São Paulo foram reconhecidas 30 organizações, sendo 20 de grande e médio porte e dez pequenas empresas. No interior e no litoral paulista, aparecem outras 52 organizações: 20 grandes, 21 médias e 11 pequenas.
Nesta edição, 36 empresas foram premiadas pela primeira vez. Outras cinco aparecem nas oito edições já realizadas do ranking.
Empresas premiadas apresentam ambiente mais favorável à inovação
Outro recorte do estudo analisa a relação entre ambiente de trabalho e capacidade de inovação.
Segundo o GPTW, ambientes considerados inovadores aparecem com frequência duas vezes maior entre as empresas premiadas. No estágio mais avançado de inovação, a diferença entre organizações reconhecidas e não reconhecidas pelo ranking chega a 14 pontos percentuais.
O levantamento utiliza o Índice de Velocidade da Inovação (IVR) para analisar como as organizações transformam ideias em práticas e resultados.
Em 2026, 36% das empresas premiadas estão no chamado estágio funcional de inovação, queda de um ponto percentual em relação à edição anterior. O levantamento também registrou redução na parcela de empresas classificadas no estágio acelerado.
Os resultados sugerem que cultura organizacional e inovação estão relacionadas, embora os próprios dados também mostrem que fazer parte do grupo de empresas reconhecidas não significa necessariamente avançar de maneira contínua nos indicadores de inovação.
Profissionais estão ficando mais tempo nas empresas
O perfil dos funcionários também apresenta sinais de mudança. Embora os profissionais com menos de dois anos de empresa ainda sejam o maior grupo, representando 38% do total, essa participação caiu três pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Ao mesmo tempo, aumentou a presença de funcionários com vínculos mais longos.
Profissionais com seis a dez anos de empresa passaram a representar 15% do total. Aqueles com 11 a 15 anos chegaram a 9%, enquanto as faixas de 16 a 20 anos e mais de 20 anos representam 4% cada.
O grupo com dois a cinco anos de casa permaneceu estável, com 31%.
Também houve mudança no perfil etário. Profissionais entre 35 e 44 anos passaram a representar 33% do total, enquanto aqueles entre 45 e 54 anos chegaram a 16%.
Na outra ponta, a participação de funcionários com até 25 anos caiu para 15%, menor índice dos últimos três anos. A faixa de 26 a 34 anos também recuou um ponto percentual.
Crescimento e qualidade de vida pesam na decisão de ficar
Sete em cada dez profissionais apontam oportunidades de crescimento e qualidade de vida entre as principais razões para permanecer nas empresas, segundo o levantamento.
A qualidade de vida ganhou três pontos percentuais de importância em relação a 2025. Remuneração e benefícios avançaram dois pontos, enquanto oportunidade de crescimento e estabilidade subiram um ponto percentual cada.
O alinhamento de valores seguiu na direção oposta e perdeu seis pontos percentuais no período.
Os dados indicam uma mudança nas prioridades relacionadas à retenção de profissionais. Desenvolvimento de carreira, condições de trabalho e remuneração passam a pesar mais na decisão de permanecer em uma organização, ao mesmo tempo em que fatores ligados exclusivamente à identificação com os valores corporativos perdem espaço.
A edição de 2026 do levantamento também revela um mercado no qual a composição das equipes está mudando: cresce a participação feminina e aumenta o tempo de permanência dos funcionários, mas a presença das mulheres ainda diminui significativamente conforme se avança em direção aos cargos mais altos das organizações.









