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Ascenty inaugura laboratório de IA em São Paulo com tecnologia de redes abertas da OpenGlobe

Primeiro Digital Realty Innovation Lab da América Latina reúne empresas de tecnologia para testar infraestrutura de inteligência artificial em condições reais de operação

A Ascenty inaugurou, em Vinhedo, no interior de São Paulo, o primeiro Digital Realty Innovation Lab (DRIL) da América Latina. O espaço foi desenvolvido para permitir que empresas testem e validem soluções de infraestrutura para inteligência artificial (IA) antes de investir em sua implantação em larga escala. Entre os parceiros tecnológicos do projeto está a OpenGlobe, empresa especializada em Open Compute e Open Networking, que leva ao laboratório sua experiência em arquiteturas abertas e infraestrutura de alto desempenho.

A iniciativa chega em um momento em que a expansão da IA exige muito mais do que capacidade de processamento. Para garantir o desempenho de aplicações avançadas, especialmente aquelas que utilizam grandes quantidades de GPUs, as empresas precisam integrar redes de alta velocidade, sistemas de armazenamento, distribuição de energia e tecnologias de refrigeração capazes de suportar cargas computacionais intensivas.

O novo laboratório busca justamente enfrentar esse desafio. Em vez de testar equipamentos isoladamente, o DRIL permite avaliar como diferentes tecnologias funcionam em conjunto, identificando possíveis gargalos, incompatibilidades e oportunidades de otimização antes que os projetos entrem em produção.

“Trazer o DRIL para São Paulo significa investir diretamente no futuro da IA na América Latina. Nosso compromisso com a região é sustentado por anos de construção e operação de infraestrutura, o que nos possibilita entender o que nossos clientes precisam e apoiá-los no seu desenvolvimento”, afirma Chris Torto, fundador e CEO da Ascenty.

OpenGlobe aposta em redes abertas para ampliar desempenho e liberdade de escolha
Um dos destaques do novo laboratório é a participação da OpenGlobe, que contribui com tecnologias de redes abertas para a construção e validação de ambientes de IA de alto desempenho.

A proposta está alinhada a uma tendência importante no mercado de infraestrutura: reduzir a dependência de arquiteturas proprietárias e permitir que empresas combinem soluções de diferentes fabricantes, de acordo com suas necessidades técnicas e financeiras.

Essa abordagem ganha relevância especialmente nos ambientes de IA, nos quais o desempenho das redes pode influenciar diretamente a eficiência dos recursos computacionais. Mesmo com GPUs de última geração, limitações na comunicação entre servidores e sistemas de armazenamento podem comprometer o aproveitamento da infraestrutura.

Com uma década de experiência no desenvolvimento, teste e implementação de soluções baseadas em Open Compute e Open Networking, a OpenGlobe leva ao DRIL o conhecimento acumulado em ambientes reais de produção. A empresa também destaca seu reconhecimento como o primeiro OCP Experience Center da América Latina, iniciativa ligada ao ecossistema de tecnologias abertas para data centers.

“Há uma década, a OpenGlobe projeta, testa e implementa soluções de Open Compute e Open Networking em ambientes reais de produção. Hoje, somos reconhecidos como o primeiro OCP Experience Center da América Latina. É essa experiência que levamos ao DRIL São Paulo: uma infraestrutura de IA de alto desempenho, construída com as melhores soluções de diferentes fornecedores, garantindo liberdade de escolha e menor custo total de propriedade. Para a Ascenty, seus parceiros e clientes, tudo o que é validado aqui pode ser implementado em qualquer lugar do mundo”, afirma Victor Fernando Proscurchin, fundador e CEO da OpenGlobe.

Na prática, a participação da companhia reforça um dos principais objetivos do laboratório: demonstrar que infraestruturas complexas de IA podem ser construídas a partir de componentes interoperáveis, sem necessariamente vincular toda a operação a um único fornecedor.

Além da flexibilidade tecnológica, o modelo pode contribuir para a redução do custo total de propriedade (TCO), facilitar futuras atualizações e ampliar as possibilidades de expansão das operações.

Laboratório terá racks preparados para 150 kW ou mais
O DRIL São Paulo foi projetado para acompanhar as crescentes exigências de infraestrutura dos sistemas de inteligência artificial. O ambiente permite testar configurações de racks com refrigeração líquida, ou liquid cooling, preparadas para densidades de 150 kW ou mais.

Essa capacidade é especialmente importante para servidores dedicados ao treinamento e à execução de modelos avançados de IA, que concentram grande quantidade de componentes de alto desempenho em espaços reduzidos.

O laboratório utiliza sistemas de refrigeração em circuito fechado com água gelada, contenção térmica e tecnologias de troca de calor líquido-líquido e ar-líquido. As diferentes configurações permitem comparar alternativas de resfriamento e avaliar sua eficiência antes da implementação definitiva.

Na parte elétrica, a infraestrutura conta com redundância distribuída e sistemas UPS operando em paralelo, enquanto a conectividade é garantida por duas entradas de fibra óptica em rotas distintas e uma arquitetura neutra em relação às operadoras.

Sistemas de gerenciamento predial (BMS) e monitoramento de energia (EPMS) também fazem parte do ambiente, permitindo acompanhar o comportamento da infraestrutura durante os testes.

Ecossistema reúne Nokia, Oracle, Keraunos e outros parceiros
Além da OpenGlobe, o DRIL reúne empresas responsáveis por diferentes componentes da infraestrutura de IA.

A Nokia participa com tecnologias de automação de redes, incluindo o Nokia Data Center Fabric e os roteadores 7750 SR. A Oracle integra o projeto por meio de seu AI Customer Excellence Center e da solução Exadata Cloud@Customer, que permite avaliar arquiteturas de nuvem dentro dos próprios data centers das organizações.

Já a Keraunos apresenta sua plataforma de AI Virtual Private Cloud, voltada à oferta de infraestrutura dedicada para IA, com foco em segurança, escalabilidade e controle local dos dados.

O laboratório também incorpora tecnologias de refrigeração líquida da Schneider Electric e da Delta, cabeamento estruturado da CommScope, sistemas de distribuição elétrica da Starline e ferramentas de gerenciamento de infraestrutura e gêmeos digitais da TrustedData.

A construção e a integração física do ambiente envolveram ainda EBM, IDS, Starcenter, Multiway e Consultimer.

A combinação dessas tecnologias permite avaliar cenários completos de operação, incluindo processamento, comunicação entre servidores, armazenamento, consumo energético e dissipação de calor.

Para Claude Brown, vice-presidente sênior de vendas para as Américas da Digital Realty, a integração entre diferentes fornecedores tornou-se um dos principais desafios para empresas que pretendem ampliar seus investimentos em IA.

“A infraestrutura de IA evolui em um ritmo que torna a interoperabilidade cada vez mais complexa. À medida que as organizações integram computação, redes, refrigeração e outras tecnologias de ponta, precisam ter confiança de que esses componentes funcionarão em conjunto e em escala, conforme as cargas de IA passam da experimentação para a produção”, explica.

Brasil entra na rede global de laboratórios da Digital Realty
Com a inauguração em Vinhedo, o Brasil passa a integrar a rede internacional de Digital Realty Innovation Labs, que já conta com instalações na Virgínia, nos Estados Unidos, em Tóquio, no Japão, e em Londres, no Reino Unido.

A Digital Realty também prevê a expansão da iniciativa para Singapura e Joanesburgo até o final de 2026.

A chegada do laboratório ao país amplia o acesso das empresas latino-americanas a ambientes de validação de tecnologias avançadas, reduzindo a necessidade de realizar testes exclusivamente em instalações no exterior.

Para a OpenGlobe, a participação no projeto também representa uma oportunidade de demonstrar o potencial das arquiteturas abertas em um ambiente que reúne fornecedores globais e diferentes tecnologias de infraestrutura.

Mais do que um espaço de demonstração, o DRIL pretende funcionar como um ambiente de experimentação para a próxima geração de data centers, permitindo que empresas comparem soluções, avaliem custos e tomem decisões de investimento com base em testes realizados em condições próximas às de produção.

Em um mercado no qual a capacidade de processamento costuma concentrar as atenções, a iniciativa também evidencia que o futuro da IA dependerá da eficiência de toda a infraestrutura que sustenta seu funcionamento, das GPUs às redes que conectam cada componente.

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