Corning apresenta na Futurecom 2026 tecnologias que ampliam em até quatro vezes a densidade das redes ópticas para data centers
Companhia apresentou as soluções Multicore Fiber e EDGE, desenvolvidas para atender à crescente demanda por conectividade, capacidade e eficiência na infraestrutura de inteligência artificial
A expansão da inteligência artificial está impondo novos desafios à infraestrutura dos data centers, especialmente em relação à capacidade de transmissão de dados, à densidade das conexões e ao aproveitamento do espaço físico. Durante a Futurecom 2026, realizada entre os dias 6 e 8 de outubro, em São Paulo, o Guia do PC esteve no estande da Corning Optical Communications para conhecer de perto as tecnologias apresentadas pela companhia para responder a essas demandas.
Entre os destaques estavam a Corning Multicore Fiber Technology (MCF), tecnologia que permite multiplicar por até quatro vezes a densidade dos caminhos ópticos em uma única fibra, e as soluções EDGE, voltadas à organização e à expansão das conexões dentro dos data centers. As tecnologias também integraram a participação da companhia na primeira edição do Data Center World Brasil, realizada no contexto da Futurecom.
A discussão ganha relevância à medida que o treinamento e a operação de modelos de inteligência artificial exigem volumes crescentes de processamento e intensificam a circulação de informações entre servidores, aceleradores e diferentes áreas dos centros de dados. Nesse cenário, além de energia, refrigeração e capacidade computacional, a conectividade passa a ocupar uma posição estratégica na expansão da infraestrutura digital.
“A inteligência artificial está levando os data centers a um novo patamar de capacidade e densidade. Quanto maior o poder computacional concentrado nesses ambientes, maior a quantidade de dados que precisa circular entre equipamentos e instalações. Isso significa que a conectividade deixou de ser apenas uma camada de suporte; ela está se tornando um fator decisivo para a capacidade de expansão dessa infraestrutura”, afirma Juliano Covas, diretor regional de Vendas da Corning Optical Communications.
Quatro núcleos em uma única fibra óptica
Uma das principais tecnologias apresentadas pela Corning é a Multicore Fiber, desenvolvida para ampliar a capacidade das redes ópticas sem exigir um aumento proporcional da infraestrutura física.
Diferentemente das fibras convencionais, que possuem um único núcleo para transmissão de sinais ópticos, a MCF integra quatro núcleos independentes em uma mesma fibra, preservando o diâmetro externo tradicional de 125 micrômetros.
Na prática, essa arquitetura permite aumentar em até quatro vezes a densidade dos caminhos ópticos dentro do mesmo espaço físico, característica especialmente relevante para data centers que precisam ampliar continuamente sua capacidade de transmissão sem dispor de áreas adicionais para cabeamento.
Segundo a Corning, a maior densidade por fibra também pode simplificar as instalações, com redução de até 75% na quantidade de conectores, diminuição de até 70% na massa dos cabos e redução de até 60% no tempo de instalação.
“A densidade tornou-se uma consideração central no planejamento dos data centers de IA. Precisamos transportar volumes cada vez maiores de dados, enquanto racks, bandejas e caminhos de cabos continuam sendo espaços fisicamente limitados. A MCF responde diretamente a essa equação: podemos colocar quatro núcleos dentro de uma única fibra, mantendo o diâmetro de 125 micrômetros. Isso permite aumentar significativamente a densidade dos caminhos ópticos sem multiplicar proporcionalmente a quantidade de cabeamento necessária”, explica Antônio Macedo, gerente de Produto de Data Center para a América Latina da Corning Optical Communications.
A tecnologia faz parte do portfólio Corning GlassWorks AI, que reúne fibras ópticas, cabeamentos, soluções de conectividade e serviços desenvolvidos para atender às exigências das redes que sustentam aplicações de inteligência artificial.
Soluções EDGE ampliam a densidade das conexões dentro dos racks
Se a Multicore Fiber busca aumentar a capacidade de transmissão, outro desafio está na organização das conexões que chegam aos equipamentos.
Com a concentração de maior poder computacional em espaços cada vez mais compactos, os data centers precisam acomodar um número crescente de conexões ópticas sem comprometer o acesso aos componentes, a manutenção e a possibilidade de expansão.
Para enfrentar esse problema, a Corning apresentou as soluções EDGE, sistemas de cabeamento óptico pré-terminado e de alta densidade, desenvolvidos especificamente para ambientes de data centers.
Os sistemas utilizam estruturas que podem ser instaladas em racks ou gabinetes e, dependendo da configuração, acomodam entre 96 e 576 fibras ópticas.
Na versão de quatro unidades de rack (4U), a solução comporta até 48 módulos ou painéis EDGE e até 576 fibras em configurações LC.
Além da capacidade de concentração das conexões, a arquitetura foi projetada para facilitar alterações, ampliações e movimentações na infraestrutura. O acesso aos conectores sem a necessidade de ferramentas é um dos recursos destinados a simplificar a operação em ambientes com elevada densidade de cabeamento.
“Há pouco benefício em aumentar a capacidade da fibra se a infraestrutura ao redor se tornar um gargalo. Quanto maior a densidade, mais importante se torna considerar como as conexões serão distribuídas, organizadas, acessadas e expandidas ao longo do ciclo de vida do data center. Os sistemas de alta densidade ajudam a aproveitar melhor o espaço disponível e, ao mesmo tempo, tornam a infraestrutura mais preparada para futuras expansões”, acrescenta Macedo.
A combinação entre fibras multicore e sistemas de conectividade de alta densidade procura resolver duas questões complementares: aumentar o volume de dados transportados e acomodar mais conexões dentro dos limites físicos das instalações.
Inteligência artificial muda as exigências da infraestrutura digital
As tecnologias apresentadas pela Corning durante a Futurecom 2026 refletem uma transformação mais ampla na arquitetura dos data centers. A expansão da computação em nuvem, dos serviços digitais e das aplicações de inteligência artificial está aumentando a necessidade de interligar grandes quantidades de equipamentos, muitas vezes distribuídos entre diferentes instalações.
O avanço da computação de borda, ou edge computing, acrescenta outra dimensão a esse cenário, ao aproximar o processamento dos locais onde os dados são gerados e consumidos.
Como consequência, fatores como capacidade de transmissão, latência, disponibilidade, escalabilidade e eficiência operacional tornam-se cada vez mais interdependentes.
Nesse contexto, a infraestrutura óptica deixa de ser avaliada apenas pela velocidade ou pelo volume de informações que consegue transportar. A possibilidade de ampliar conexões, reduzir a ocupação física e simplificar intervenções técnicas também passa a influenciar o planejamento dos data centers.
Para a Corning, o desafio é desenvolver estruturas capazes de acompanhar sucessivas gerações de equipamentos e aplicações, evitando que as limitações das redes comprometam a expansão da capacidade computacional.
“Os data centers são infraestruturas construídas para operar e evoluir ao longo de muitos anos. Portanto, o desafio não é simplesmente atender à demanda de hoje. É criar uma base capaz de acompanhar o crescimento da inteligência artificial, da computação em nuvem e de aplicações que ainda estão surgindo. Escalabilidade e densidade estão se tornando essenciais para garantir que essa expansão aconteça de maneira eficiente”, conclui Juliano Covas.
