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Sustentabilidade

BASF lança projeto para transformar biodiversidade amazônica em ingredientes para a indústria cosmética

Iniciativa Standing Forest combina pesquisa brasileira, tecnologia e manejo sustentável da andiroba, com previsão de beneficiar 200 famílias e impactar cerca de 1.200 pessoas no Amazonas

A BASF anunciou o lançamento do Standing Forest, projeto que utiliza recursos da biodiversidade amazônica para desenvolver ingredientes destinados à indústria de cosméticos e cuidados pessoais. A iniciativa combina pesquisa científica brasileira, conhecimento tradicional e tecnologias de processamento para transformar matérias-primas da floresta em produtos de maior valor agregado, com foco na sustentabilidade e na geração de renda para comunidades locais.

A primeira etapa será desenvolvida na região do Médio Juruá, no município de Carauari (AM), e terá como matéria-prima inicial a andiroba, árvore amazônica conhecida pelo óleo extraído de suas sementes. A previsão é beneficiar aproximadamente 200 famílias e impactar cerca de 1.200 pessoas distribuídas em 25 comunidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari.

O projeto está estruturado em três frentes: conservação da floresta amazônica, aproveitamento sustentável de recursos naturais e desenvolvimento socioeconômico das comunidades extrativistas. A proposta é estabelecer cadeias produtivas rastreáveis, capazes de atender à demanda da indústria cosmética por ingredientes renováveis e de origem responsável.

Pesquisa brasileira transforma recursos da floresta em ingredientes cosméticos

O desenvolvimento tecnológico do Standing Forest teve início na unidade da BASF em Jacareí (SP), onde pesquisadores estruturaram quatro linhas de investigação voltadas à identificação de novas aplicações para matérias-primas da biodiversidade amazônica.

As pesquisas incluem o aproveitamento de óleos vegetais, resíduos provenientes de cadeias produtivas já estabelecidas e recursos naturais ainda pouco explorados pela indústria de cosméticos.

Um dos objetivos é ampliar a utilização dessas matérias-primas por meio de processos químicos que permitam melhorar suas propriedades e criar novas possibilidades de aplicação em produtos para cuidados com a pele e os cabelos.

O modelo também busca aproveitar frações de matérias-primas que normalmente não seriam utilizadas em processos industriais convencionais, contribuindo para o uso mais eficiente dos recursos naturais.

Projeto prevê capacitação de comunidades e comércio justo

No Médio Juruá, o Standing Forest terá como foco inicial o fortalecimento da cadeia produtiva da andiroba, recurso tradicionalmente utilizado pelas comunidades amazônicas.

A BASF pretende capacitar coletores em práticas sustentáveis de extração e manejo, com atenção especial ao desenvolvimento das mulheres envolvidas na atividade.

O projeto também contempla mecanismos de comércio justo, rastreabilidade e repartição de benefícios associados ao uso do conhecimento tradicional.

Em conformidade com a legislação brasileira de acesso à biodiversidade, a empresa estabeleceu acordos de consentimento prévio com as comunidades para a utilização dos conhecimentos relacionados ao óleo de andiroba.

Também foi estruturado um modelo pré-negociado de repartição de benefícios, destinado a facilitar a participação de empresas interessadas em desenvolver e comercializar produtos derivados dessa matéria-prima.

Para viabilizar a iniciativa, a BASF trabalha com uma rede de organizações não governamentais, empresas e instituições que já atuam na região, especialmente em atividades de monitoramento florestal, capacitação comunitária e desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis.

Novo ingrediente utiliza óleo de andiroba e etanol renovável

O primeiro produto desenvolvido no âmbito do Standing Forest é o Cetiol Forest CG, um emoliente destinado à formulação de cosméticos para cuidados com a pele e os cabelos.

O ingrediente é produzido a partir do óleo de andiroba, incluindo frações com elevada acidez que normalmente não atendem aos padrões comerciais convencionais.

Por meio de um processo químico desenvolvido pela BASF, essas frações são transformadas em um éster com propriedades adequadas para aplicações cosméticas.

Um dos diferenciais tecnológicos está na utilização de etanol renovável como agente de reação, em substituição ao metanol convencional.

A abordagem permite ampliar o aproveitamento da matéria-prima vegetal e criar aplicações industriais para componentes que poderiam ter menor valor comercial.

Além do desenvolvimento de um novo ingrediente, a proposta é agregar valor à cadeia produtiva da andiroba, ampliando as possibilidades de comercialização e geração de renda para as comunidades extrativistas.

Sustentabilidade e rastreabilidade ganham importância no mercado de cosméticos

O lançamento ocorre em um cenário de maior atenção da indústria de cuidados pessoais à origem das matérias-primas, à rastreabilidade das cadeias de fornecimento e ao desenvolvimento de alternativas renováveis.

Dados de estudos citados pela BASF, realizados por Mintel, WGSN e Leap, indicam que 65% dos consumidores brasileiros afirmam estar dispostos a pagar mais por produtos considerados “limpos”.

Na América Latina, 52% dos consumidores da geração Z evitam marcas percebidas como insustentáveis, enquanto 41% dos consumidores da região consideram a presença de ingredientes naturais um fator relevante na decisão de compra.

Esses indicadores ajudam a explicar o interesse da indústria cosmética por soluções que combinem desempenho técnico, origem responsável e menor impacto ambiental.

Nesse contexto, o aproveitamento de produtos florestais não madeireiros, como os óleos vegetais, representa uma alternativa para desenvolver cadeias econômicas associadas à conservação da biodiversidade.

BASF planeja expandir iniciativa para outras regiões da Amazônia

A BASF pretende ampliar o Standing Forest para outras regiões da Amazônia, incorporando novas matérias-primas e oportunidades de desenvolvimento tecnológico.

A expansão deverá seguir o modelo adotado no Médio Juruá, com participação das comunidades locais, pesquisa científica, manejo sustentável e mecanismos de repartição de benefícios.

Para Fábio Cahen, diretor de cuidados pessoais da BASF América do Sul, a iniciativa demonstra o potencial da integração entre ciência e conhecimento tradicional para desenvolver novos produtos e fortalecer a economia regional.

“O Standing Forest demonstra como a combinação entre ciência, tecnologia e conhecimento ancestral pode ampliar o aproveitamento sustentável dos recursos da floresta. Os três pilares do programa são interdependentes: não existe conservação sem geração de renda local, e não há desenvolvimento comunitário duradouro sem proteção da floresta”, afirma.

Segundo o executivo, o projeto também pode contribuir para ampliar as oportunidades econômicas das famílias que dependem do extrativismo sustentável.

“A iniciativa demonstra como a combinação entre ciência, tecnologia e conhecimento ancestral pode ampliar o aproveitamento sustentável dos recursos da floresta. O Standing Forest é capaz de fortalecer a produção local e ampliar as oportunidades de geração de renda para as famílias extrativistas”, conclui Cahen.

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