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Apenas 5,2% dos líderes de tecnologia confiam plenamente na capacidade de explicar decisões tomadas por IA, aponta FICO

Pesquisa global revela que 71,5% das decisões que afetam clientes ainda são tomadas sem inteligência artificial e identifica desafios de transparência, segurança e capacitação profissional

Apesar dos investimentos bilionários em inteligência artificial, as empresas ainda enfrentam dificuldades para explicar como a tecnologia chega a determinadas conclusões. Segundo o estudo 2026 State of Responsible AI, divulgado nesta quarta-feira (14) pela FICO, apenas 5,2% dos líderes de tecnologia, dados e risco demonstram elevado grau de confiança na capacidade de explicar decisões orientadas por IA. A pesquisa, realizada em parceria com a Corinium Global Intelligence, ouviu 1.004 executivos de diferentes setores.

O levantamento mostra que 71,5% das decisões empresariais com impacto sobre clientes ainda são tomadas sem o uso de inteligência artificial. Entre os principais obstáculos à ampliação da tecnologia estão a falta de transparência dos modelos, as dificuldades de integração e a necessidade de estabelecer padrões de governança.

“A maioria das organizações consegue dizer onde e o que a IA decidiu. Muito poucas conseguem explicar o porquê”, afirma Scott Zoldi, Chief Analytics Officer (CAO) da FICO. “Isso revela a falta de padrões e técnicas de IA responsável, o que pesa diretamente na disposição das organizações de usar a IA em decisões que afetam os clientes. Com reguladores e clientes analisando de perto como a IA é usada nessas decisões, auditabilidade e explicabilidade se tornam inegociáveis.”

Transparência e governança são prioridades

A capacidade de justificar decisões automatizadas ganha importância à medida que governos avançam na regulamentação da inteligência artificial. Entretanto, 37,3% dos entrevistados afirmam ter confiança neutra ou inexistente na capacidade de explicar essas decisões a clientes e órgãos reguladores.

Para enfrentar esse cenário, 71,9% dos executivos consideram que a adoção de padrões para o desenvolvimento de modelos pode produzir impactos relevantes na utilização da IA. Outros 67,9% destacam a importância de arquiteturas interpretáveis, que permitem compreender melhor o funcionamento dos sistemas.

A pesquisa também identifica avanços na adoção de mecanismos de controle. Atualmente, 58,8% das organizações utilizam ferramentas para detectar vieses algorítmicos, enquanto 53,5% realizam auditorias periódicas de seus modelos.

Retorno financeiro avança, mas adoção ainda é limitada

Embora 85,1% dos participantes afirmem que os investimentos em inteligência artificial atenderam ou superaram suas expectativas de retorno financeiro, a tecnologia ainda ocupa espaço limitado nos processos decisórios.

Segundo o levantamento, 33,3% das decisões continuam baseadas no julgamento humano, 21,4% utilizam sistemas de regras predefinidas e 16,8% dependem de ferramentas tradicionais de análise de dados.

Outro desafio está na infraestrutura tecnológica. Apenas 8,2% das organizações contam com uma plataforma única e compartilhada de implantação de IA totalmente implementada. Em contrapartida, 71,2% possuem soluções parcialmente implementadas.

Para 96,4% dos entrevistados, uma colaboração mais próxima entre as lideranças de tecnologia e inteligência artificial, apoiada por plataformas integradas, poderia ampliar os retornos dos investimentos.

As dificuldades, porém, não são exclusivamente técnicas. A resistência às mudanças, mencionada por 61,4% dos executivos, e a ausência de uma compreensão compartilhada sobre inteligência artificial, apontada por 58,4%, estão entre os principais obstáculos à integração da tecnologia nas empresas.

A capacitação profissional também aparece como preocupação. Para 63,2% dos participantes, o maior risco dos próximos cinco anos será a incapacidade de acompanhar, em termos de competências profissionais, a velocidade de evolução da IA. Em comparação, apenas 10,4% apontam a perda de controle sobre sistemas inteligentes como um risco relevante.

“Há um ano, havia sérias dúvidas sobre retornos da IA. Hoje, a principal questão enfrentada pelos executivos é como dimensionar a tecnologia em toda a empresa”, afirma Lariza Carrera, diretora de produção da Corinium Global Intelligence. “Cada vez mais, a resposta tem menos a ver com a tecnologia em si e mais a ver com as pessoas que a operam.”

IA agêntica ainda está concentrada em projetos-piloto

Apesar do interesse crescente por sistemas capazes de executar tarefas com maior autonomia, a inteligência artificial agêntica ainda apresenta baixa adoção em larga escala.

Somente 2,4% dos líderes entrevistados afirmam ter implementado amplamente a tecnologia em aplicações voltadas aos clientes. Outros 71,5% permanecem nas etapas iniciais de exploração ou desenvolvimento de projetos-piloto.

Entre os fatores que dificultam sua expansão estão as preocupações com segurança, citadas por 40,1% dos participantes, e os problemas relacionados à integração e à qualidade dos dados, mencionados por 38,3%.

O estudo também indica que a IA agêntica não lidera as expectativas de retorno financeiro no curto prazo. Para os próximos 18 meses, os executivos apontam os modelos de linguagem especializados em determinados setores ou áreas de conhecimento como a tecnologia de maior potencial, com 49,5% das respostas.

Na sequência aparecem a IA generativa, com 48,7%, e as arquiteturas de modelos interpretáveis, com 46,6%. A IA agêntica é mencionada por 27,5% dos participantes.

“A IA agêntica ainda está em fase inicial de experimentação, e é exatamente quando a base preparatória é mais importante”, disse Rachael Hadaway, vice-presidente de produtos de IA da FICO. “Os líderes que estão investindo em segurança e integração de dados hoje estão construindo a base para a autonomia em escala.”

Sobre a pesquisa

O relatório 2026 State of Responsible AI está em sua quinta edição e foi elaborado pela Corinium Global Intelligence para a FICO. O estudo ouviu 1.004 executivos seniores das áreas de tecnologia, dados, análise e gestão de riscos, incluindo CIOs, CTOs e responsáveis por estratégias de inteligência artificial.

A pesquisa abrange sete setores econômicos e amplia o escopo das edições anteriores, anteriormente concentradas em executivos de alto escalão do setor financeiro. A amostra é global, com aproximadamente dois terços dos participantes sediados na América do Norte.

O estudo completo está disponível no site oficial da FICO.

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