Solução já passou por provas de conceito com Polícia Militar e Corpo de Bombeiros de São Paulo; CEO da companhia visitou a COP International 2026 para networking e prospecção de novos negócios
Trotes, chamados improdutivos e informações imprecisas durante o atendimento de uma emergência podem ter um efeito que vai além do congestionamento das centrais: ao colocar viaturas, equipes e equipamentos especializados em movimento sem necessidade, esses mesmos recursos deixam de estar disponíveis para ocorrências reais, gerando um impacto negativo para quem realmente precisa.
É na solução deste desafio que a VIU Tecnologia pretende avançar no mercado brasileiro. A empresa desenvolveu uma plataforma que permite ao operador de uma central de emergência acessar, durante o atendimento, vídeo ao vivo, localização por GPS e comunicação por texto, de modo a compreender melhor a ocorrência antes de definir quais recursos devem ser mobilizados.
A solução já passou por provas de conceito no COPOM da Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros de São Paulo. A companhia também aproveitou a realização da COP International 2026, no São Paulo Expo, para ampliar sua aproximação com o mercado de segurança pública. Jason Sprenger, CEO da VIU, visitou o evento para networking e prospecção de novos negócios.

Trotes podem representar impacto milionário
Segundo estimativas da VIU que foram obtidas a partir de dados operacionais do COPOM, só a cidade de São Paulo registra cerca de 100 mil falsos avisos por mês. A companhia calcula que a mobilização associada a esses chamados pode representar aproximadamente R$ 28 milhões mensais. Em uma projeção para todo o estado, o impacto poderia chegar a cerca de R$ 102 milhões por mês. Esse cálculo considera custos envolvidos na mobilização dos recursos de emergência, entre eles veículos, combustível e equipes especializadas.
No entanto, a empresa ressalta que o problema não se limita ao deslocamento provocado por um trote – quando a central dispõe de poucas informações sobre uma ocorrência, pode enviar uma estrutura preparada para um evento de maior complexidade a uma situação que exigiria recursos mais simples. “Sem informações suficientes na triagem, uma central pode fazer com que recursos especializados fiquem indisponíveis para situações mais críticas”, explica Jason Sprenger. A lógica da plataforma, portanto, não é simplesmente identificar trotes, mas aumentar a quantidade e a qualidade das informações disponíveis antes do despacho.
“É justamente aí que está o potencial de economia: qualificar melhor a ocorrência antes do despacho para direcionar o recurso certo, na medida certa, reduzindo desperdícios e utilizando equipes, veículos e equipamentos de forma mais eficiente”, acrescenta Sprenger.
Do telefone para o vídeo ao vivo
Uma das soluções da companhia é o VIU Teleport. Durante uma chamada de emergência, o operador pode enviar um link ao cidadão e, a partir dessa interação, utilizar recursos como vídeo ao vivo, geolocalização e comunicação por texto para obter mais elementos sobre o que está acontecendo.
Isso permite verificar visualmente a situação, localizar com maior precisão o ponto da ocorrência e dimensionar sua gravidade antes da mobilização dos recursos.
A ferramenta não substitui o atendente, nem automatiza a decisão sobre o despacho. A definição continua dependendo do discernimento humano.
“A decisão continua sendo do profissional da central. A tecnologia otimiza esse processo, reduz momentos improdutivos e oferece informações mais precisas para uma tomada de decisão mais rápida e eficiente”, afirma o executivo.
Outro recurso destacado pela companhia é a obtenção da localização pelo GPS do próprio aparelho. Segundo a empresa, essa informação oferece maior precisão do que mecanismos baseados somente em triangulação e pode ajudar especialmente quando o cidadão não consegue informar com clareza onde se encontra.
Quanto à privacidade, a VIU afirma que o acesso e o tratamento das informações ficam vinculados ao atendimento da ocorrência e devem seguir os protocolos definidos por cada operação, bem como as exigências aplicáveis de proteção de dados vigentes no país.
Testes em São Paulo
Nas provas de conceito realizadas com o COPOM da Polícia Militar e com o Corpo de Bombeiros de São Paulo, a empresa buscou demonstrar principalmente a aplicação do vídeo e da geolocalização na qualificação dos chamados. Os testes permitiram demonstrar como o operador pode compreender mais rapidamente o tipo, a localização e a dimensão de uma ocorrência, reduzindo etapas improdutivas da triagem e aumentando a precisão na escolha dos recursos enviados.
“As provas de conceito foram muito bem avaliadas e validadas, tanto pelos ganhos operacionais quanto pela facilidade de implementação. Elas podem ser realizadas com bastante agilidade, porque os atendentes se adaptam rapidamente à ferramenta”, diz o CEO.
A estratégia a ser aplicada no Brasil também parte da experiência acumulada pela VIU em outras grandes cidades da América Latina. A tecnologia já é utilizada em Bogotá e na Cidade do México, locais onde a combinação de vídeo ao vivo e localização buscam melhorar a utilização dos recursos humanos e materiais das centrais de emergência. Parte desse aprendizado pode ser replicada no Brasil, embora os desafios não sejam iguais em todo o território.
“O vídeo ao vivo ajuda a validar e dimensionar melhor as ocorrências, enquanto a localização pelo GPS aumenta a precisão do despacho. Isso permite reduzir chamados improdutivos, evitar o emprego desnecessário de recursos e direcionar equipes, viaturas e equipamentos de acordo com a necessidade de cada situação”, afirma Sprenger.
A empresa vê espaço para aplicação tanto em grandes centros urbanos, quanto em regiões nas quais a infraestrutura de telecomunicações é mais limitada. A aposta é que a modernização das centrais não dependa apenas de adicionar novas tecnologias, mas de melhorar a informação disponível no momento em que uma decisão precisa ser tomada.
“Modernizar as centrais significa conectar melhor tecnologia, operadores e equipes para reduzir desperdícios, eliminar momentos improdutivos e mobilizar o recurso certo, no lugar certo, com mais precisão e agilidade”, conclui Jason Sprenger.






