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Infraestrutura digital também define competitividade

Data centers, nuvem e capacidade computacional deixaram de ser suporte tecnológico e passaram a influenciar inovação, produtividade e autonomia

Por Marcelo Almeida, Diretor de Relações Governamentais da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES)

A Inteligência Artificial costuma ser apresentada como uma revolução de algoritmos. Na prática, ela depende de algo muito menos visível: uma infraestrutura capaz de armazenar, processar e movimentar volumes crescentes de dados em alta velocidade.

Sem ela, simplesmente não existe IA em escala.

Essa percepção começa a ganhar espaço nas empresas brasileiras. O estudo “Estratégias Digitais em Alta Performance: os vetores tecnológicos impulsionados pela IA”, realizado pela IDC para a ABES, mostra que a Inteligência Artificial deixou de ser apenas mais uma tecnologia disponível para se tornar o principal eixo das decisões de investimento. Computação em nuvem, dados, segurança cibernética, aplicações corporativas e infraestrutura passam a funcionar como uma plataforma integrada para sustentar a IA. Não se trata mais de investimentos independentes, mas de componentes de uma mesma estratégia empresarial.

Os números ajudam a explicar essa mudança. Segundo o levantamento, 95% das empresas brasileiras já utilizam Inteligência Artificial, enquanto 86% pretendem ampliar seus investimentos em tecnologia. O estudo também mostra que IA Generativa e agentes inteligentes ocupam o topo da agenda das organizações, indicando que a capacidade computacional se transforma rapidamente em um fator de competitividade.

Essa transformação traz uma consequência pouco discutida.

Quanto maior a dependência da Inteligência Artificial, maior também passa a ser a dependência da infraestrutura que permite seu funcionamento. Data centers, redes de telecomunicações, computação em nuvem, energia, conectividade internacional e capacidade de processamento deixam de ser temas restritos às áreas técnicas e passam a influenciar diretamente decisões de investimento, inovação e crescimento.

Isso amplia uma discussão que costuma aparecer apenas sob a ótica tecnológica.

A infraestrutura digital não é apenas um suporte para os negócios. Ela passa a fazer parte da estratégia das empresas.

Sempre que uma organização utiliza serviços em nuvem, modelos generativos, plataformas corporativas ou agentes inteligentes, existe uma complexa cadeia tecnológica operando nos bastidores. É ela que garante disponibilidade, desempenho, segurança e capacidade de expansão.

Quando essa infraestrutura se torna insuficiente ou excessivamente concentrada, surgem impactos que vão muito além da tecnologia. Custos aumentam, projetos demoram mais para sair do papel, aplicações críticas enfrentam limitações e a velocidade da inovação diminui.

É justamente nesse contexto que a discussão sobre autonomia tecnológica ganha relevância.

Autonomia não significa substituir soluções globais nem construir um ambiente isolado. Significa desenvolver condições para que empresas brasileiras tenham acesso competitivo à infraestrutura necessária para inovar, crescer e competir em igualdade de condições em uma economia orientada por dados.

O próprio estudo da IDC revela outro aspecto importante dessa transformação. Embora a adoção da IA tenha alcançado praticamente todas as empresas pesquisadas, apenas 48% afirmam possuir dados plenamente estruturados, enquanto 49% reconhecem trabalhar com bases parcialmente organizadas. A infraestrutura, portanto, não se resume a servidores ou data centers. Ela inclui também qualidade dos dados, integração entre sistemas e capacidade de governança.

Essa visão orienta um dos debates centrais do ABES Summit 2026. Ao discutir soberania digital, infraestrutura e competitividade, o evento propõe ampliar o olhar sobre os elementos que sustentam a Inteligência Artificial. O software continua sendo essencial, mas sua capacidade de gerar valor depende cada vez mais da existência de uma infraestrutura robusta, resiliente e preparada para suportar aplicações intensivas em processamento e dados.

Essa agenda acompanha uma nova fase da atuação da ABES.

Ao completar 40 anos, a Associação chega a um momento em que a indústria de software passa a discutir não apenas aplicações, mas também os alicerces que resultem em evolução. Se, nas primeiras décadas, o foco esteve na consolidação do mercado brasileiro de software e na transformação digital das organizações, agora a agenda incorpora temas como capacidade computacional, data centers, Inteligência Artificial, políticas industriais e infraestrutura digital como componentes inseparáveis da competitividade.

Essa evolução também explica a atuação institucional da ABES em torno das políticas para data centers. A Associação tem participado ativamente do debate sobre um ambiente regulatório capaz de estimular investimentos, ampliar a capacidade instalada no país e criar condições para que o Brasil fortaleça sua posição na economia digital. O objetivo não é apenas ampliar a infraestrutura física, mas garantir que empresas brasileiras encontrem aqui condições para desenvolver aplicações cada vez mais sofisticadas de Inteligência Artificial, computação em nuvem e serviços digitais.

A economia digital costuma valorizar aquilo que está na superfície: aplicações inovadoras, plataformas inteligentes e novas experiências para os usuários. Mas a verdadeira capacidade de competir nasce, muitas vezes, de estruturas que permanecem invisíveis para quem utiliza a tecnologia.

Na era da Inteligência Artificial, infraestrutura deixa de ser apenas uma questão operacional. Ela passa a representar uma vantagem estratégica para países e empresas que desejam inovar com escala, segurança e autonomia em um mercado cuja velocidade depende, cada vez mais, da solidez de seus fundamentos tecnológicos.

Participe do ABES Summit 2026!
Os temas abordados neste artigo estarão entre os debates do ABES Summit 2026, que será realizado no dia 27 de outubro, das 8h às 18h, no Teatro SESI/FIESP, em São Paulo. Em sua 16ª edição, o evento celebra os 40 anos da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) e reúne lideranças empresariais, especialistas, representantes do poder público e profissionais de tecnologia para discutir o tema “Reinventar para competir na era da IA”.

A participação é gratuita, mediante inscrição prévia. Faça parte dessa discussão e acompanhe presencialmente os debates sobre o futuro da tecnologia e da competitividade brasileira.

Garanta sua inscrição: www.abessummit.com.br

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