Assistente permite investigar falhas e solicitar configurações por comandos de texto, mas exige aprovação humana antes de executar alterações na infraestrutura
Administradores de rede poderão perguntar por que usuários de determinado local estão enfrentando problemas de conexão ou solicitar a criação de uma rede Wi-Fi usando linguagem natural. É essa a proposta da nova versão do OmniVista, plataforma de gerenciamento de redes da Alcatel-Lucent Enterprise (ALE), que passa a incorporar um assistente virtual baseado em inteligência artificial.
A tecnologia utiliza uma interface conversacional para consultar informações sobre a infraestrutura, investigar problemas e preparar ações de configuração. Em vez de navegar por diferentes telas ou procurar dados manualmente, o administrador pode fazer perguntas como “como esse switch se comportou hoje?” ou “por que os usuários deste site estão reclamando?”.
O assistente analisa os dados disponíveis e apresenta uma resposta acompanhada das fontes utilizadas. A IA também pode propor alterações na rede, mas a execução continua dependendo da autorização de um administrador.
A abordagem coloca o OmniVista dentro do movimento de AIOps, no qual técnicas de inteligência artificial são utilizadas para analisar telemetria, encontrar anomalias e auxiliar equipes de TI na operação de infraestruturas cada vez mais complexas.
Comandos de texto podem virar configurações de rede
A novidade vai além da consulta aos dados.
O administrador pode solicitar por linguagem natural tarefas como configurar um SSID, clonar a configuração de um site ou desativar determinado equipamento. O sistema interpreta a solicitação e prepara as ações necessárias.
A diferença em relação a uma automação totalmente autônoma está na etapa seguinte: antes de qualquer mudança ser aplicada, o OmniVista apresenta a recomendação e sua justificativa para que um profissional possa avaliá-la e aprová-la.
“Com esta atualização, colocamos a IA diretamente nas mãos dos administradores de rede, não para substituir seu julgamento, mas para aprimorá-lo”, explica Moussa Zaghdoud, CTO e EVP de Infraestrutura, Plataformas e Serviços da Alcatel-Lucent. “O Assistente Virtual do OmniVista transforma dados de rede em tempo real em informações claras e acionáveis e propõe o que fazer a seguir, enquanto a decisão permanece com as pessoas responsáveis pela rede. Neste ano, os clientes podem aproveitar esses recursos com o modelo de implantação de sua escolha: na nuvem ou on-premises.”
A exigência de aprovação humana é particularmente relevante em gerenciamento de redes, já que uma configuração incorreta realizada automaticamente pode derrubar serviços ou bloquear o acesso de usuários e dispositivos.
IA também tenta encontrar a causa dos problemas
O assistente passa a trabalhar de forma mais integrada ao OmniVista Network Advisor, componente responsável pelo monitoramento da infraestrutura.
A ferramenta acompanha o comportamento da rede continuamente e pode utilizar os dados coletados para detectar problemas, investigar possíveis causas e apresentar recomendações de correção.
A proposta é fazer com que um incidente chegue ao administrador já acompanhado de contexto sobre sua possível origem e de uma sugestão de solução.
Isso pode reduzir parte do trabalho tradicional de troubleshooting, que frequentemente exige consultar logs, métricas de diferentes equipamentos e informações sobre clientes conectados antes de localizar a origem de uma falha.
As correções sugeridas pela IA, novamente, não são aplicadas automaticamente.
## Mesma IA pode rodar na nuvem ou on-premises
Outro ponto da atualização está no modelo de implantação.
O OmniVista está disponível em duas modalidades: o OmniVista Cirrus, hospedado na nuvem, e o OmniVista Terra, instalado na infraestrutura da própria organização.
Segundo a ALE, as duas versões passam a oferecer a mesma interface e os mesmos recursos, permitindo que uma empresa escolha entre cloud e on-premises sem precisar adotar ferramentas diferentes para administrar a rede.
A possibilidade de manter a plataforma localmente também atende organizações que possuem requisitos mais rígidos relacionados à soberania e ao controle dos dados.
A companhia afirma que os dados permanecem na região geográfica escolhida pelo cliente e que somente a quantidade necessária de informações é processada para as operações do assistente de IA.
Até 25 mil dispositivos em uma única plataforma
A nova versão do OmniVista suporta ambientes com até 25 mil dispositivos e permite administrar equipamentos OmniAccess Stellar, OmniSwitch e hardware de terceiros.
A plataforma também incorpora Network Access Control (NAC), políticas baseadas em Zero Trust e mecanismos destinados à proteção de dispositivos IoT.
Outra característica é a arquitetura API-first, que permite integrar o gerenciamento da rede a outras ferramentas utilizadas pelas equipes de TI.
O sistema também pode reunir a administração da infraestrutura de rede e de sistemas telefônicos PBX, reduzindo a necessidade de manter plataformas separadas para esses ambientes.
Na parte de Wi-Fi, os mapas de calor utilizados para visualizar a densidade de clientes foram aprimorados para auxiliar no planejamento de capacidade. A interface também foi redesenhada e passa a oferecer suporte a chinês, japonês, alemão e espanhol, além de inglês e francês.
A chegada da IA ao OmniVista ilustra uma mudança mais ampla na administração de infraestrutura: a interface conversacional começa a ocupar um espaço antes reservado a dashboards, menus e linhas de comando. A diferença é que, em redes corporativas, entender uma solicitação em linguagem natural é apenas metade do problema. A outra metade é garantir que a IA não transforme uma interpretação errada em uma configuração aplicada a milhares de dispositivos. Por enquanto, essa última palavra continua sendo humana.








