Na COP International 2026, companhia mostra como câmeras corporais, viaturas, dispositivos menos letais e inteligência artificial podem compartilhar uma mesma plataforma, reduzindo a fragmentação tecnológica das forças de segurança
Mais do que colocar novos equipamentos nas mãos dos policiais, o desafio da digitalização da segurança pública passa por fazer diferentes tecnologias conversarem entre si. É com essa proposta que a Axon participa da COP International 2026, que acontece até amanhã (13 de agosto) no São Paulo Expo.
Em seu maior estande já montado na América Latina, com 100 m², a companhia apresenta um ecossistema que reúne dispositivos taser, câmeras corporais e veiculares, inteligência artificial, drones, treinamento em realidade virtual e gestão de evidências digitais. A ideia central é reduzir um problema comum às forças de segurança: a multiplicação de sistemas que funcionam separadamente e exigem que o próprio agente ou a instituição faça a ponte entre diferentes plataformas.
“Tem agentes que trabalham com 10, 12 sistemas diferentes para fazer a sua função pública, fazer toda essa gestão de qual imagem vem de um sistema ou de outro”, afirma Samuel Moraes, gerente de Sucesso do Cliente da Axon.
Segundo ele, a proposta da empresa é acompanhar a informação desde o momento em que ela é produzida até sua utilização como evidência. “A Axon traz esse ecossistema completo, desde o momento da captura da evidência, seja de uma câmera corporal, seja de uma câmera fixa, a integrar tudo isso dentro de uma única plataforma”, explica.
Da câmera à Justiça
Essa integração ganha relevância porque, em uma operação policial, produzir uma imagem é apenas o primeiro passo. É necessário armazená-la, controlar quem pode acessá-la e preservar sua integridade até que eventualmente seja utilizada em um procedimento administrativo ou judicial.
Moraes resume a plataforma como um hub no qual as informações permanecem armazenadas e custodiadas. “Não adianta só a gente produzir ali uma imagem ou produzir uma evidência, mas onde isso vai chegar, levar isso com segurança até a Justiça ou até o devido processo legal”, diz.
No Brasil, a companhia já possui contratos com forças estaduais do Rio Grande do Sul e da Bahia. No caso gaúcho, segundo o executivo, o ecossistema vem alcançando diferentes instituições, incluindo Polícia Militar, Polícia Penal e Polícia Civil.
Para a Axon, a digitalização também tem um componente de transparência na relação entre agentes e população. “Todo esse ecossistema traz uma transparência para ambos os lados da lente”, afirma Moraes. “Protege tanto o agente público que está nessa ação e também protege o cidadão”, completa.
Nuvem concentra evidências e informações
A infraestrutura que sustenta esse modelo pode funcionar tanto localmente, em ambientes on-premise, quanto na nuvem. De acordo com Moraes, porém, o modelo em nuvem concentra a maior parte dos clientes da empresa por facilitar a expansão dos projetos e reduzir a dependência de infraestrutura física instalada nas próprias instituições.
Nesse desenho, a gestão dos dados permanece nas mãos da instituição de segurança pública.
“Quem tem o acesso aos dados, literalmente, é o cliente final, ou seja, a polícia é quem faz toda essa gestão”, detalha.
Taser pode ser a porta de entrada
A estratégia de adoção desse ecossistema no Brasil também leva em conta uma realidade conhecida do setor público: necessidades extensas convivendo com recursos limitados. Por isso, segundo Samuel Moraes, a entrada da Axon em uma força de segurança frequentemente começa pelos dispositivos taser e depois avança para câmeras e gestão de evidências.
“Normalmente os estados começam por ‘o que eu posso fazer para ser menos letal, para evitar um confronto desnecessário?’. A gente entra, normalmente, com o taser”, afirma. A etapa seguinte passa pelo registro e pela comprovação das ações. “Já estou agindo de uma forma menos letal, como que eu garanto mais legalidade ainda na minha ação? Aí a gente vai para o mundo da evidência digital e o mundo das câmeras corporais, veiculares, inteligência artificial”, afirma.
Na COP International, essa evolução pode ser vista em equipamentos como o Taser 10, capaz de lançar até dez dardos individualmente direcionados sem recarga entre os disparos, além do Taser 7. Outra peça desse ecossistema é a Axon Body 4, câmera corporal conectada às plataformas de vídeo e evidências da companhia. Entre os recursos apresentados no evento está a tradução de voz em tempo real para mais de 50 idiomas, voltada a situações em que agentes precisam interagir com pessoas que não falam o mesmo idioma.
IA começa a assumir tarefas operacionais
A inteligência artificial é uma das áreas nas quais a Axon pretende avançar mais rapidamente. Segundo Moraes, os investimentos foram intensificados no último ano e abrangem desde recursos incorporados às câmeras até automação de atividades administrativas.
Uma das possibilidades em desenvolvimento é o reconhecimento facial. Moraes ressalta, entretanto, que a funcionalidade ainda está em testes globalmente e que a companhia pretende submetê-la a etapas de validação antes de uma disponibilização mais ampla.
“A gente sabe que os competidores fazem, mas a gente joga pelas regras do jogo de ter um pouco mais de cautela, de validação, de ter certeza que isso vai ser utilizado também da maneira mais segura possível”, afirma.
A IA também começa a atuar depois que uma ocorrência termina. A partir das imagens e do áudio registrados durante uma ação, a plataforma pode auxiliar na geração de relatórios, reduzindo o tempo gasto pelo policial com tarefas administrativas.
“O próprio sistema já tem uma ferramenta para gerar um relatório, como se fosse o boletim de ocorrência ali do policial”, explica Moraes. O objetivo, segundo ele, é evitar que o profissional passe horas em atividades de escritório e digitação quando poderia estar empregado em funções operacionais.
Viatura conectada, drones e realidade virtual
O conceito de integração também chega às viaturas. No estande, a Axon apresenta o Fleet 3, sistema de vídeo veicular com câmera 4K, reconhecimento automático de placas e recursos de percepção em tempo real. A solução permite reunir registros feitos dentro e fora do veículo e conectá-los ao restante das informações produzidas durante uma ocorrência.
No ar, a companhia mostra duas abordagens distintas. O Fotokite é um drone cabeado pensado para permanecer em operação por períodos prolongados e transmitir imagens ao vivo, enquanto tecnologias da Dedrone, que integra o ecossistema Axon, são voltadas à detecção, identificação e acompanhamento de drones não autorizados.
O treinamento completa o ciclo. Com o Axon VR, profissionais podem enfrentar cenários imersivos inspirados em ocorrências de segurança pública e repetir exercícios para trabalhar tomada de decisão, comunicação, controle emocional e redução de riscos.
A combinação ajuda a explicar a estratégia que a Axon leva à COP International 2026. O equipamento individual continua importante, mas passa a ser apenas um dos pontos de uma cadeia maior. Câmera corporal, viatura, dispositivo menos letal, inteligência artificial e evidência digital deixam de ser ilhas tecnológicas e passam a compartilhar uma mesma infraestrutura, acompanhando a ocorrência do treinamento e da atuação em campo até a preservação das informações que poderão chegar ao devido processo legal.






