Durante apresentação no palco principal do Interconnected Brasil 2026, Marcelo Braga destacou que empresas precisarão reorganizar processos, dados e operações para se tornarem “AI First”
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de automação para se tornar um dos principais motores estratégicos de crescimento das empresas. Esse foi o principal recado apresentado por Marcelo Braga, presidente da IBM Brasil, durante a palestra “O Futuro não é um Destino, é uma Decisão: o Futuro dos Negócios em um Mundo permeado pela IA”, realizada nesta quarta-feira (27), no palco principal do Interconnected Brasil 2026.
A apresentação aconteceu em um momento em que o mercado corporativo acelera investimentos em IA ao mesmo tempo em que tenta entender como transformar adoção tecnológica em crescimento real de receita, produtividade e vantagem competitiva.

Marcelo Braga, presidente da IBM Brasil, durante palestra no Interconnected Brasil 2026: executivo defendeu que as decisões tomadas hoje sobre IA irão determinar a competitividade das empresas nos próximos anos
Segundo um estudo recente divulgado pela IBM, 79% dos executivos globais acreditam que a inteligência artificial terá impacto direto na geração de receita até 2030. Atualmente, esse índice está em 40%. Apesar disso, apenas 24% das empresas afirmam ter clareza sobre exatamente de onde esse crescimento virá.
Durante a palestra, Marcelo Braga destacou que a transformação provocada pela IA vai muito além da adoção de novas ferramentas.
“O futuro não é um destino. O destino parece que você está sendo levado para lá. É uma decisão. Vão ser as empresas que vão tomar decisões hoje que vão garantir o futuro delas daqui para frente.”
Segundo o executivo, a pressão competitiva deve tornar inevitáveis investimentos em modernização de processos, revisão operacional e capacitação de pessoas.
“No mundo da IA talvez não. Agora as coisas são repensadas, são reescritas.”
A IBM defende que a próxima década será marcada menos pela simples implementação tecnológica e mais pela reorganização estrutural das empresas em torno de modelos “AI First”, nos quais a inteligência artificial passa a influenciar diretamente operações, processos, análise de dados e tomada de decisão.
Marcelo Braga também afirmou que a IA deixará de ser percebida como um diferencial isolado para se tornar parte da própria identidade corporativa.
“IA não vai ser mais uma tecnologia. A gente não vai falar mais de IA daqui a pouco. Ela será a nova identidade das empresas.”
Outro ponto enfatizado pelo executivo foi a importância dos dados corporativos como fator de diferenciação competitiva. Segundo ele, os grandes modelos atuais são treinados majoritariamente com dados públicos, o que limita diferenciações reais entre empresas.
“99% dos dados das empresas não foram ainda treinados dentro de algum LLM. Isso é o que diferencia uma empresa da outra.”
A companhia acredita que o próximo estágio da IA corporativa será justamente a combinação de múltiplos modelos especializados com dados proprietários, processos internos e contexto operacional de cada organização.
Além da discussão sobre IA generativa, a palestra também abordou computação quântica, agentes autônomos, soberania de dados, cibersegurança e integração de ambientes híbridos e multicloud.
Marcelo Braga destacou que a velocidade das mudanças deve alterar profundamente praticamente todas as profissões nos próximos anos.
“Todas as profissões vão ser diferentes daqui a quatro anos.”
Segundo ele, empresas que não conseguirem incorporar IA de maneira efetiva poderão enfrentar uma desvantagem competitiva significativa em um curto espaço de tempo.
“Essa diferença entre quem usar isso de uma forma efetiva e quem não estiver usando vai ser quase injusta para quem não está usando.”
Outro tema abordado foi a crescente sofisticação dos riscos ligados a agentes autônomos e identidade digital. O executivo alertou para os desafios de credenciais, autenticação e governança em ambientes operados por agentes de IA.
A IBM também reforçou durante o evento que o avanço da computação quântica já começa a impactar discussões relacionadas à infraestrutura, criptografia e segurança corporativa. Segundo Braga, a companhia prevê avanços relevantes já até 2029 na evolução de computadores quânticos tolerantes a falhas.
Além disso, a empresa destacou o crescimento da importância da integração de dados em tempo real dentro das organizações. A IBM citou sua recente aquisição da Confluent como parte dessa estratégia de fortalecimento de arquiteturas voltadas à integração contínua de dados corporativos.
No encerramento da palestra, Marcelo Braga reforçou que a adoção de IA precisa necessariamente gerar impacto real nos negócios e na experiência do usuário.
“Toda essa tecnologia só serve se ela trouxer uma experiência diferente para o cliente, uma velocidade diferente e se ela for confiável.”









