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A virada de chave da IA no setor financeiro

Por Adriano Candido, VP de Negócios da Softtek Brasil

Os debates realizados no Febraban Tech 2026 evidenciaram uma mudança profunda no setor financeiro, no qual a inovação deixou de ser apenas uma camada de suporte para integrar o próprio modelo operacional dos bancos. Nesse novo contexto, inteligência artificial, dados, cloud, cibersegurança, identidade digital e Open Finance já não funcionam como iniciativas isoladas, mas como capacidades que precisam funcionar de forma integrada.

Segundo dados da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, em parceria com a Deloitte, divulgada durante o evento, essa convergência ganha força em um mercado onde 83% das transações passam pelos canais digitais e 78% são feitas via celular. Portanto, ser digital tornou-se premissa. O verdadeiro diferencial agora está na capacidade de construir instituições inteligentes e contextuais, capazes de tomar decisões em tempo real.

Da experimentação à industrialização: o desafio da escala

Como o canal digital já está consolidado, a discussão sobre inteligência artificial mudou de patamar. A questão central deixou de ser “se devemos utilizá-la” e passou a ser “como industrializá-la com segurança e captura real de valor”. 

O investimento projetado de R$3 bilhões em IA, Analytics e Big Data para 2026 confirma esse apetite no setor bancário. Apesar desse avanço, dados da mesma pesquisa da Febraban mostram uma clara distância entre adotar e escalar. Enquanto 52% das instituições já aplicam agentes de IA, apenas 16% colhem resultados financeiros em grande escala, revelando que os principais desafios agora são operacionais. 

Percebe-se que os principais gargalos migraram dos modelos de IA para o ecossistema que os sustenta, englobando governança de dados, sistemas legados, cibersegurança e rastreabilidade. Diante disso, escalar a IA agêntica passa necessariamente pelo redesenho de processos, já que apenas aplicar tecnologia sobre fluxos antigos não gera a transformação profunda de que o setor precisa. 

Redesenho operacional e governança como arquitetura

É essa abordagem que separa as instituições que apenas incorporam tecnologia daquelas realmente preparadas para o futuro. Adotar cloud, APIs e copilotos mantendo os mesmos silos e estruturas tradicionais é modernização tecnológica, mas não transformação. Não por acaso, dados da Febraban apontam que os investimentos na migração para a nuvem devem saltar 30% em 2026, atingindo R$3,9 bilhões e consolidando a infraestrutura no centro da estratégia. 

Paralelamente, ocorre uma mudança cultural indispensável em que tecnologia e negócio passam a cocriar jornadas desde a concepção. Com isso, a governança deixa de ser um checkpoint final para se tornar parte nativa da arquitetura, justamente porque, em serviços financeiros, velocidade sem rastreabilidade é risco. 

À medida que os agentes ganham autonomia, torna-se essencial garantir identidade, limites explícitos de atuação, monitoramento contínuo e instâncias de human-in-the-loop para decisões críticas. Essa prioridade fica clara nos dados do levantamento, que indicam que 88% dos bancos investem em autenticação multifator e 76% no monitoramento preditivo de transações, provando que governança não é freio, mas viabilizador da escala com confiança. 

O banco redesenhado para a era dos agentes

No fim das contas, a principal reflexão que o Febraban Tech 2026 deixa para o setor é direta, precisamos parar de perguntar apenas “onde” podemos aplicar IA e começar a responder “como” desenharíamos o banco se os agentes inteligentes fizessem parte da força de trabalho desde o primeiro dia.

A prioridade, portanto, não é colocar milhares de agentes no ar rapidamente, mas construir um modelo operacional capaz de implantá-los de maneira repetível, segura e mensurável. As instituições que optarem por apenas adicionar IA às estruturas legadas obterão ganhos pontuais, já aquelas que redesenharem processos, arquitetura e governança com a tecnologia como capacidade nativa construirão uma vantagem competitiva sustentável. 

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