Companhia apresenta no COP International 2026 ecossistema que conecta vídeo, reconhecimento de placas, centros de comando e evidências digitais; objetivo é reduzir o tempo entre o chamado e a resposta em campo
Uma ocorrência policial começa com um chamado, mas, entre o pedido de ajuda e a chegada de uma equipe, diferentes sistemas precisam trocar informações, acionar profissionais e transformar uma grande quantidade de dados em decisões. É justamente nesse intervalo que a Motorola Solutions quer atuar com o conceito de Operação Conectada, apresentado durante a COP International 2026, em São Paulo.
A proposta é integrar, em um mesmo ecossistema, comunicações de missão crítica, câmeras corporais, vídeo veicular, reconhecimento automático de placas (ALPR), sensores, aplicações móveis e sistemas de comando e controle. Na feira, a companhia transformou esse conceito em uma experiência imersiva em realidade virtual, na qual o visitante assume o papel de um agente e acompanha uma ocorrência desde o patrulhamento e o primeiro atendimento até o gerenciamento das evidências e o registro final da operação.
Mais do que reunir diferentes tecnologias, a aposta está na capacidade de fazer com que elas conversem entre si. “A Motorola tem um ecossistema de missão crítica, onde a gente consegue unificar soluções de vídeo, software de comando e controle e comunicação. Quando a gente unifica e tem interoperabilidade entre esses três pilares, a gente reduz o tempo de atendimento ao cidadão”, afirma Rodolfo Gomes, diretor de vendas para Governo Federal na Motorola Solutions.
Segundo o executivo, essa integração precisa considerar uma realidade comum às forças de segurança: a existência de sistemas legados e ambientes tecnológicos diferentes entre estados e instituições.
“Nosso interesse e nossa preocupação é sempre integrar esses sistemas legados, trazendo esse conceito de missão crítica, que é o que não pode falhar”, explica Gomes.
Essa característica faz com que a arquitetura não seja necessariamente igual em todas as regiões. A Motorola Solutions afirma atuar nos 27 estados brasileiros e adaptar as soluções às necessidades de cada operação. Gomes cita como exemplo a comunicação por rádio: segundo ele, a companhia trabalha com os protocolos P25, DMR e TETRA, permitindo que cada cliente escolha a tecnologia mais adequada e a integre ao restante do ambiente.
“Qual é o propósito da Motorola com essas soluções? A gente quer conectar aqueles que podem ajudar com aqueles que precisam de ajuda, da maneira mais rápida possível”, resume.
IA organiza os dados, mas decisão continua humana
A integração, porém, cria outro desafio: administrar a quantidade crescente de informações produzidas por câmeras corporais, sensores, sistemas de reconhecimento de placas, vídeo e outras fontes.
É nesse ponto que entra a inteligência artificial. A Motorola Solutions apresentou a Assist, solução de IA destinada a organizar informações e gerar alertas a partir de recursos como reconhecimento facial e leitura de placas. A lógica é reduzir a sobrecarga de dados entregue ao profissional de segurança e destacar informações relevantes para a operação.
“A IA precisa apoiar para aumentar a eficiência desse policial, desse agente de segurança pública. Então hoje a Motorola lançou uma IA chamada Assist, que é para ajudar a gerar alertas, por exemplo, de reconhecimentos faciais, de leituras de placa, e vai apoiar esse agente trazendo informações organizadas. Mas ela não toma decisão. Quem toma decisão é o agente, é o especialista em segurança pública, é o fator humano”, destaca Gomes.
A distinção é importante porque posiciona a inteligência artificial como ferramenta de apoio, e não como substituta da decisão operacional. O sistema organiza a massa de dados produzida durante uma ocorrência para que o profissional avalie o contexto e defina a resposta adequada.
Na demonstração apresentada na COP International, essa automação aparece em diferentes momentos da operação, incluindo o acionamento de câmeras corporais, transmissão de imagens ao vivo, consultas instantâneas a bancos de dados e gerenciamento de evidências.
Da bodycam ao tribunal
Outro ponto central do ecossistema está no que acontece com as imagens depois de capturadas.
A integração das câmeras corporais com os sistemas de gerenciamento de evidências busca preservar a cadeia de custódia digital desde o momento da coleta até um eventual compartilhamento com o Ministério Público ou o Poder Judiciário.
“O conceito da cadeia de custódia é ter rastreabilidade e auditabilidade em cada ação”, afirma Gomes.
Segundo ele, operações como login, acesso a uma evidência e demais interações autorizadas ficam registradas. Quando o material precisa ser exportado e compartilhado com outras instituições, o histórico também pode ser auditado.
“Eu consigo controlar desde o momento que a evidência entra no sistema de cadeia de custódia até o momento que ela vai ser compartilhada possivelmente com o Tribunal de Justiça ou Ministério Público. Depois eu gero um relatório de auditabilidade e, com isso, consigo garantir a cadeia de custódia”, explica.
A própria gravação da câmera corporal possui mecanismos para verificar a integridade do arquivo. De acordo com o executivo, durante a gravação é gerado um hash que permite identificar se houve alteração no conteúdo.
O sistema também impede a exclusão manual das evidências armazenadas, inclusive pelo próprio usuário. As câmeras contam ainda com criptografia para impedir o acesso não autorizado ao conteúdo caso o equipamento seja perdido durante uma operação.
Depois, os dados podem ser descarregados tanto para infraestrutura em nuvem quanto para ambientes on-premises, conforme a opção e os requisitos de cada cliente.
Ocorrência como um fluxo único
Ao reunir comunicações críticas, vídeo, sensores, inteligência artificial, aplicações e gerenciamento de evidências, a Operação Conectada tenta transformar o que tradicionalmente são várias etapas e sistemas separados em um fluxo contínuo de informação.
Na experiência apresentada pela Motorola Solutions, IoT, IA e automação aparecem justamente como elementos capazes de conectar essas etapas, ampliar a consciência situacional e transformar dados operacionais em informações úteis para a tomada de decisão.
A tecnologia, nesse modelo, deixa de ser apenas o equipamento que acompanha o policial e passa a compor uma cadeia que começa no chamado, acompanha a atuação em campo e segue até a preservação da evidência digital.
E é nessa integração que a Motorola concentra sua aposta: fazer com que sistemas diferentes compartilhem contexto e informação rapidamente, enquanto a decisão final permanece nas mãos de quem está conduzindo a ocorrência.






