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Pará testa nova geração de bodycams com reconhecimento facial e leitura de placas integrados

Tecnologia apresentada pela All Control no COP International 2026 permite que a própria câmera corporal identifique rostos e veículos e envie alertas ao policial durante a operação

Uma câmera corporal capaz não apenas de registrar uma abordagem, mas também de reconhecer rostos, identificar placas de veículos e alertar o policial sobre uma possível ocorrência enquanto ele ainda está em campo. Essa é uma das tecnologias apresentadas pela All Control Soluções Inteligentes no COP International 2026 e que já começa a ser utilizada pela Polícia Militar do Pará.

Segundo Breno Leite, diretor executivo da All Control, o Pará é atualmente o único estado brasileiro com uma implantação de câmeras corporais que reúne leitura de placas e reconhecimento facial integrados ao próprio equipamento.

“Hoje a Polícia Militar do Pará é pioneira nas câmeras corporais com integração de placas, de leitura de placas e leitura facial. No Brasil, hoje é o único estado que está implantado”, afirma Leite.

A Polícia Militar paraense já utiliza câmeras corporais há cerca de três anos, mas uma nova etapa do projeto começou recentemente. Há aproximadamente 60 dias, segundo o executivo, entrou em operação um novo sistema com recursos adicionais embarcados nas bodycams.

Além do reconhecimento facial e da leitura de placas, a solução inclui transcrição automática dos vídeos e recursos de comunicação. A tecnologia utilizada nos projetos da All Control é fornecida pela Hikvision.

Alerta chega ao policial durante a abordagem

Uma das principais diferenças está no processamento das informações. De acordo com Leite, as câmeras corporais utilizadas no projeto já possuem tecnologia embarcada para realizar reconhecimento facial e leitura de placas, reduzindo a necessidade de enviar continuamente vídeos e imagens para outro sistema para realizar a análise.

“O próprio sistema na câmera já faz essa busca, garante um fluxo mais leve, economia no chip de dados, mais assertivo e mais rápido. Consegue dar uma pronta resposta para o policial que estiver usando”, explica.

Na prática, a câmera corporal deixa de funcionar somente como instrumento de registro e passa a atuar também como um ponto móvel de captura e análise de informações.

Em uma abordagem, por exemplo, o rosto captado pela câmera pode ser confrontado com as informações disponíveis nos sistemas integrados à solução. Caso exista uma correspondência que demande atenção, o policial recebe um alerta no próprio equipamento e pode seguir os procedimentos operacionais previstos pela corporação.

“Ela gera o alerta na câmera na hora para o policial. Aí tem o protocolo de abordagem, verificar se é a pessoa mesmo que está sendo procurada, enfim, o procedimento operacional padrão de cada força policial”, afirma Leite.

A mesma lógica pode ser aplicada à leitura de placas de veículos.

Pará virou vitrine para aplicação da tecnologia

O estado também representa um desafio particular para projetos de segurança conectada. Com grandes distâncias territoriais e diferentes condições de infraestrutura, levar equipamentos e serviços a todas as regiões exige uma operação diferente da encontrada em áreas geograficamente menores.

“O Pará, por exemplo, é gigantesco, e a gente consegue atender todos os municípios do Pará, não só com soluções de câmeras corporais, como soluções de monitoramento para a cidade e de prédios públicos”, diz Leite.

Para a All Control, o projeto paraense também representa uma evolução do conceito de bodycam. Em vez de manter as câmeras corporais separadas das demais estruturas de monitoramento, a proposta é transformá-las em novos pontos de captura dentro de um ecossistema maior de segurança.

“Uma cidade hoje inteligente trabalha com tudo isso integrado. Você tem as câmeras corporais atuando também como mais um ponto de captura de imagem para a integração com o sistema de banco de dados do Estado, da Prefeitura, Guarda Municipal”, explica.

Segundo o executivo, a empresa já atua em oito estados brasileiros, atendendo forças policiais, departamentos de trânsito e polícias penais.

IA permite procurar uma pessoa pela descrição

Outra novidade apresentada pela All Control no COP International 2026 é o AcuSeek, sistema de inteligência artificial para busca em imagens.

A ferramenta permite procurar pessoas ou situações utilizando características descritas pelo operador, sem depender exclusivamente de análises previamente configuradas em cada câmera.

“Eu posso criar um alerta para pessoas que passaram sem camisa e com tatuagem. Posso criar um alerta de onde uma pessoa passou com uma criança no colo. Ela vai me gerar todos os vídeos que essa pessoa tem”, exemplifica Leite.

Na prática, a IA analisa as próprias imagens para localizar conteúdos correspondentes aos critérios da busca.

As câmeras corporais também contam, segundo a All Control, com recursos de transcrição automática. O sistema pode identificar palavras-chave utilizadas durante uma ocorrência, gerar alertas e produzir uma descrição do conteúdo registrado.

“Nessa cena encontravam-se duas pessoas, uma moto, um veículo, passa uma criança correndo. Ele faz a transcrição de toda a cena para documentar”, explica.

O recurso pode ajudar na organização e posterior localização das evidências produzidas pelas câmeras, especialmente diante do volume crescente de vídeo gerado pelas forças de segurança.

Resultados ainda estão sendo medidos

Apesar de o projeto do Pará já estar em operação, a All Control ainda não divulga indicadores sobre prisões, identificação de pessoas procuradas ou outras ocorrências relacionadas diretamente aos novos recursos.

Leite explica que a integração é recente e que a própria Polícia Militar do Pará está reunindo os dados para avaliar os resultados da implantação.

“A integração foi feita agora, e a corporação está preparando um relatório para avaliar a aplicação da tecnologia e os benefícios obtidos com o novo sistema”, explica.

Outro aspecto que precisou ser adaptado à realidade operacional foi a autonomia das câmeras. Os equipamentos utilizados atualmente possuem bateria de 6.000 mAh, dimensionada para superar jornadas de 12 horas, segundo o executivo.

A experiência paraense mostra uma mudança importante na função das câmeras corporais. Se a primeira geração desses equipamentos ganhou espaço principalmente como instrumento de registro e produção de evidências, a incorporação de reconhecimento facial, leitura de placas e inteligência artificial começa a transformá-los também em terminais móveis de consulta e geração de alertas.

Com o projeto ainda em fase inicial, os dados que estão sendo levantados pela Polícia Militar do Pará deverão ajudar a responder a próxima questão: em que medida essa inteligência embarcada nas bodycams poderá se converter em ganhos concretos para a operação policial.

Tags: COP2026

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