Inovação

Veículos elétricos começam a ganhar espaço nas frotas de segurança pública

Raytec aposta em eletrificação, tecnologia embarcada e veículos adaptados para diferentes operações e inicia expansão para outros mercados da América Latina

A eletrificação, que já avança no mercado automotivo brasileiro, começa também a chegar às frotas de segurança pública. Ainda longe de substituir as viaturas a combustão em operações ininterruptas, os veículos elétricos passam a encontrar espaço em atividades com rotas e jornadas mais previsíveis, enquanto modelos híbridos surgem como uma alternativa para ampliar as possibilidades de uso.

Esse movimento esteve entre os destaques da Raytec na COP International 2026, realizada entre os dias 11 e 13 de agosto, em São Paulo. Em sua primeira participação no evento, a empresa apresentou veículos elétricos, híbridos e a combustão, além de soluções voltadas a patrulhamento, investigação, operações especiais e atendimento de emergência.

Segundo Valmir Reis, diretor da Raytec, a adoção dos elétricos pelas forças de segurança tende a acontecer de acordo com o perfil de cada operação. Em atividades nas quais uma viatura permanece nas ruas 24 horas por dia, dividida entre diferentes equipes, a necessidade de recarga ainda representa uma limitação. O cenário muda, porém, quando há maior previsibilidade de uso.

“Os elétricos estão encontrando mais oportunidades, neste momento, em operações como as das Guardas Civis Municipais, que conseguem organizar melhor o tempo de utilização do veículo”, explica Reis. Como exemplo, ele cita rondas escolares, nas quais é possível planejar a quilometragem percorrida e o retorno da viatura à base para recarga.

Eletrificação entra no radar da segurança pública

Um dos modelos apresentados pela Raytec foi o GEELY EX2 MAX, configurado de forma demonstrativa como rádio patrulha. A proposta é mostrar a possibilidade de utilização de um veículo elétrico em patrulhamento urbano e atividades de apoio policial, combinando tecnologia embarcada, eficiência energética e menor custo operacional.

De acordo com Reis, a entrada de novas montadoras no mercado brasileiro está ampliando a oferta de veículos eletrificados e, consequentemente, levando essa tecnologia também às discussões sobre renovação das frotas públicas. A Raytec afirma já trabalhar com veículos elétricos em testes junto a forças policiais, incluindo a Polícia Federal. Os híbridos, por sua vez, podem avançar mais rapidamente em determinadas operações por reduzirem a dependência exclusiva da infraestrutura de recarga. Segundo o executivo, esses modelos já começam a aparecer nas demandas do setor por oferecerem a combinação entre propulsão elétrica e motor a combustão.

Tecnologia embarcada vai além da motorização

A modernização das viaturas, entretanto, não se limita ao tipo de propulsão. Entre os pontos considerados no desenvolvimento dos veículos estão ergonomia, acionamento dos equipamentos pelo agente, comunicação, monitoramento, sinalização e proteção dos ocupantes.

Segundo Reis, um dos objetivos é reduzir situações em que o policial precise tirar a mão do volante para acionar equipamentos durante a condução. A empresa também trabalha com proteção balística em configurações destinadas às forças de segurança.

Entre os modelos exibidos na COP International estava ainda o GWM TANK 300, configurado com sinalização no padrão da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), rádio transceptor e sistema de monitoramento com monitor e DVR. Já o Mitsubishi Eclipse Cross foi apresentado como viatura descaracterizada, com sinalização visual oculta, sirene, rádio, câmeras e DVR instalados de maneira discreta, solução voltada principalmente a inteligência, investigação e operações veladas.

Veículos adaptados para diferentes realidades

Outro desafio está em desenvolver veículos capazes de operar em um país com condições geográficas e de infraestrutura muito diferentes. A Ford Ranger Ambulância 4×4 Off-Road apresentada pela empresa foi projetada justamente para ampliar o atendimento médico em regiões remotas, áreas rurais, estradas não pavimentadas e operações de resgate.

“O Brasil é um país continental e, por isso, as ambulâncias não podem atuar somente em áreas asfaltadas. Elas também precisam chegar a regiões de fronteira, áreas rurais e locais com terrenos mais acidentados”, afirma Reis.

Segundo o diretor, o compartimento de atendimento instalado na Ranger foi desenvolvido pela engenharia da empresa para atender aos requisitos das normas relacionadas à proteção contra capotamento. A proposta é reunir a capacidade de deslocamento de uma picape 4×4 com a estrutura necessária para atendimento e socorro em diferentes condições de terreno.

O portfólio apresentado no evento incluiu ainda uma SUV Renault Boreal com proteção balística parcial Nível III-A, motocicletas adaptadas para resposta rápida, Ford Territory preparada para receber sistemas de comunicação e equipamentos operacionais, além de picapes destinadas a operações policiais e de emergência.

Do Brasil para a América Latina

Além das novas tecnologias, a Raytec começa a avançar em outra frente: a internacionalização. A companhia fechou uma parceria com a MOMARENTO, no Peru, que será utilizada como primeiro passo de uma estratégia de expansão para outros mercados latino-americanos.

Segundo Edson Oliveira, diretor comercial da Raytec, o plano não se resume à exportação de veículos produzidos no Brasil. A estratégia prevê combinar engenharia, capacidade industrial e tecnologia desenvolvidas pela empresa com parceiros locais que conheçam a legislação, os processos de contratação e as particularidades operacionais de cada mercado.

No Peru, a parceria envolve adaptações veiculares e sistemas de sinalização para veículos de quatro e duas rodas destinados principalmente a segurança, emergência e mobilidade especializada. Outros países da América Latina também estão no radar, especialmente aqueles com demanda pela modernização de frotas públicas e veículos especiais.

A segurança pública deverá ocupar uma posição relevante nesse processo. A empresa pretende aproveitar a experiência acumulada no Brasil com transformação veicular, proteção balística, sinalização visual e acústica e tecnologias embarcadas, adaptando os projetos às exigências de cada país.

Para a Raytec, portanto, a transformação das frotas públicas tende a seguir mais de um caminho simultaneamente. Eletrificação e modelos híbridos começam a abrir novas possibilidades, enquanto tecnologias embarcadas, proteção e projetos desenvolvidos para missões específicas continuam determinando quais veículos podem, de fato, atender às diferentes realidades das forças de segurança.

Tags: COP2026

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