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As competências que vão definir a liderança na era da Inteligência Artificial

Artigo por Andriei Gutierrez, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES)

A Inteligência Artificial está mudando a forma como as empresas inovam, produzem, vendem e atendem seus clientes. Também está mudando o papel dos líderes, e essa mudança recebe menos atenção do que deveria.

O estudo “Estratégias Digitais em Alta Performance”, feito pela IDC para a ABES, mostra que 95% das empresas brasileiras usam IA, 86% já usam IA generativa e 86% pretendem ampliar os investimentos em tecnologia. A IA passou a orientar decisões sobre infraestrutura, dados, aplicações e segurança.

A próxima etapa já começou. Depois da IA generativa, que produz textos, análises e códigos a partir de comandos, chegam os agentes, sistemas que executam tarefas de ponta a ponta com autonomia. Segundo o estudo Mercado Brasileiro de Software 2026, da ABES com a IDC, quatro em cada dez empresas já investem em agentes e outras 33% pretendem investir nos próximos doze meses.

A diferença é grande. Um assistente responde a quem pergunta. Um agente age: abre chamados, aprova etapas, atende clientes, aciona outros sistemas. Quando uma empresa opera com dezenas deles, o desafio central passa a ser a orquestração. É preciso definir o que cada agente decide sozinho, quando uma pessoa deve intervir, como os agentes se coordenam e quem responde quando algo dá errado. Isso exige redesenhar processos, criar mecanismos de supervisão e auditoria e medir resultados, algo que muitas empresas ainda não sabem fazer.

O mercado de trabalho também vai sentir. Os agentes mudam primeiro as tarefas e depois as profissões. Atividades repetitivas, muitas delas típicas de início de carreira, tendem a ser automatizadas. Isso levanta uma pergunta ainda sem resposta: se o trabalho do júnior passa a ser feito por agentes, como formar os seniores de amanhã? Ao mesmo tempo, surgem funções ligadas a desenhar, supervisionar e corrigir sistemas autônomos. Fazer essa transição com requalificação, e não apenas com corte de custos, é tarefa das lideranças.

Por muito tempo, liderar significou acumular experiência, dominar conhecimento técnico e decidir bem em cenários previsíveis. A IA reduz o valor do conhecimento que pode ser automatizado ou acessado por qualquer empresa. O que passa a diferenciar os líderes é aprender continuamente, ter visão estratégica, exercer julgamento crítico, conduzir mudanças, gerar confiança, entender o ambiente regulatório e integrar tecnologia, pessoas e negócios.

Os dados da IDC trazem um alerta. Só 48% das empresas dizem ter dados plenamente estruturados. Com agentes, o risco cresce, porque um sistema autônomo que trabalha com dados ruins erra em escala. A tecnologia amplia tanto os acertos quanto as fragilidades de cada organização.

Essa é uma das mensagens do ABES Summit 2026. IA agêntica, soberania digital, governança, financiamento da inovação e futuro do trabalho estão na pauta e levam à mesma conclusão: o valor da IA depende da qualidade das decisões humanas.

Cada ciclo tecnológico pediu um novo tipo de líder. A informatização exigiu executivos que entendessem a tecnologia. A internet aproximou empresas e consumidores. A transformação digital integrou processos e dados. Os agentes exigem líderes capazes de conduzir organizações em que pessoas e sistemas autônomos dividem responsabilidades.

As ferramentas vão continuar mudando. O que vai diferenciar as empresas é a capacidade de seus líderes de fazer as perguntas certas, formar pessoas e decidir com responsabilidade.

Participe do ABES Summit 2026!
Os temas abordados neste artigo estarão entre os debates do ABES Summit 2026, que será realizado no dia 27 de outubro, das 8h às 18h, no Teatro SESI/FIESP, em São Paulo. Em sua 16ª edição, o evento celebra os 40 anos da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) e reúne lideranças empresariais, especialistas, representantes do poder público e profissionais de tecnologia para discutir o tema “Reinventar para competir na era da IA”.

A participação é gratuita, mediante inscrição prévia. Faça parte dessa discussão e acompanhe presencialmente os debates sobre o futuro da tecnologia e da competitividade brasileira.

Garanta sua inscrição: www.abessummit.com.br

 

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