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Projeto de Especialista do IEEE usa IA para prevenir o avanço da dengue e facilitar a identificação precoce de casos mais graves

Em 2024, o Brasil contabilizou pouco mais de seis mil mortes provocadas pela dengue e um aumento de cerca de 400% na quantidade de casos na comparação anual. Esses números levaram o especialista Márcio Andrey Teixeira, membro do IEEE (Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos, maior organização profissional técnica do mundo dedicada ao avanço da tecnologia para a humanidade) a colocar em prática um projeto para ajudar as prefeituras e as organizações públicas a combaterem o avanço da doença no Brasil. A proposta liderada por Teixeira, que também é professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), começou a ser viabilizada em outubro quando recebeu um pedido de um aluno da pós-graduação para orientá-lo em um projeto de conclusão do curso de pós-graduação em Internet das Coisas.

O estudo consiste em compilar as informações sobre os casos de dengue atualizados na cidade de Catanduva, interior de São Paulo, em um mapa interativo que, posteriormente poderá ser acessado pelos moradores da cidade em um aplicativo. A ideia é que o dispositivo possa servir para a gestão municipal promover campanhas de combate à doença e os usuários consigam denunciar possíveis focos do transmissor da dengue que ainda não foram detectados.   

A segunda grande aplicação do estudo liderado pelo membro do IEEE combina a capacidade preditiva da IA, o histórico de casos de dengue no município que adotar o projeto e prontuários clínicos de uma unidade de Saúde pré-determinada como piloto para medir o nível de severidade da doença e a necessidade de intervenções precoces da equipe médica para evitar o agravamento dos casos. 

“Nossa ideia é conceder um suporte para os médicos tomarem decisões mais assertivas e eficientes com base em estatísticas, repetições na região e particularidades de cada paciente”, detalha Teixeira. “O trabalho com IA tem margem pequena para erro e isso exige volume significativo de dados, simulações e muito cuidado na higienização dos insumos, definição de variáveis e ajuste da acurácia”, completa.

Para cumprir todas as exigências de projetos aplicados na área de saúde, Marcio Andrey Teixeira conta com respaldo de pesquisadores da Universidade Tecnológica do Texas, nos Estados Unidos. A parceria iniciada em novembro recorre às IAs federativa e explicada para compilar os dados extraídos do projeto e comprovar que as recomendações sugeridas seguiram, de fato, os protocolos e padrões internacionais exigidos pelos órgãos de fiscalização e controle. 

Primeiros passos, aplicações e estimativas

A equipe de Márcio Andrey Teixeira é formada pelos alunos de Iniciação Científica: Diulia Vitória Faria Ribeiro, Gabriel Luiz de Oliveira e Gabriel Ribeiro de Lima e pelo aluno da Pós-Graduação Eduardo Rogério Malaquias Chagas, que é médico. Os testes práticos do estudo estão sendo feitos na cidade de Catanduva, que abriga o campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). O pesquisador fechou parceria com a prefeitura da cidade e estima que a partir da metade do ano, tanto o app como o sistema de recomendação de conduta clínica, com acesso restrito aos médicos da unidade de saúde pré-definida pelos pesquisadores e pela Secretaria de Saúde de Catanduva, deverão começar a gerar informações contínuas para formar uma base histórica capaz de determinar a efetividade das medidas de combate aos casos de dengue na cidade. Outra indicação importante será a incidência ou erradicação da doença em regiões específicas e essa evolução ao longo dos meses. 

Teixeira ainda destaca que o projeto foi estruturado com propriedades da IA para favorecer a replicação em outras cidades do país e auxiliar no ganho de escala. “Para isso, é fundamental ter o apoio da prefeitura e o repasse das informações pela secretaria de saúde. O passo seguinte é padronizar, via API, a captação desses dados e processá-los em nosso sistema para que a IA possa reconhecer padrões específicos”, analisa Teixeira.

Para ele, esse avanço abriria novas possibilidades: “Seria possível fazer comparações entre as bases de dados de diferentes regiões na tentativa de identificar padrões de comportamento específicos ou variações justificáveis pela posição geográfica, por exemplo”, indica Teixeira.  

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