O ambicioso projeto da Canonical não está indo como planejado. Apesar do estrondoso início, a arrecadação de recursos estagnou em menos de US$ 9 milhões. Faltando 14 dias para o encerramento da campanha no IndieGoGo é provável que a meta de US$ 32 milhões não seja alcançada, enterrando qualquer possibilidade de lançamento do smartphone Ubuntu Edge.

O Ubuntu Edge vinha para bater de frente – pelo menos em hardware e software, não em cota de mercado – com iPhone, Galaxy S e Lumia. Sua configuração era intimidadora, pois seria equipado com:
- Processador de múltiplos núcleos;
- Tela de 4,5 polegadas de safira com resolução de 720 x 1280;
- 4 GB de RAM;
- 128 GB de armazenamento interno;
- Câmera de 8 MP (traseira) e 2 MP (frontal);
- Bateria de íons de lítio que usa silício como ânodo;
- Ubuntu e Android em dualboot;
- Possibilidade de usar como PC.
Segundo a empresa britânica, caso um milagre não aconteça não seja alcançada a meta, o super-smartphone embarcado com Ubuntu e Android não será lançado.
Mas de quem é a culpa pelo provável insucesso? Da própria Canonical. É possível elencar os principais problema que levaram à situação e ver como o time de Mark Shuttleworth viajou de primeira classe na maionese (pelo menos a princípio):
- A empresa quer bater uma meta irreal de US$ 32 milhões arrecadados em 30 dias. É pouco tempo para muito dinheiro;
- O smartphone não saiu do papel e só irá ser disponibilizado em 2014;
- O preço do aparelho é próximo ou maior do que smartphones dominantes do mercado;
- Sistema operacional Ubuntu para smartphones está engatinhando e não existirá loja de aplicativos significativa tão cedo;
- Canonical, uma pequena empresa sediada em Londres, não é conhecida pelo público em geral;
- Mercado de internet é restrito se comparado às lojas físicas;
- Não há apoio das companhias telefônicas (são elas a parte forte de todo o negócio).
Para ter uma ideia da dificuldade de emplacar algo no mercado, em 2010 no “boom” dos smartphones, a Nokia, conhecida no mundo inteiro por sua qualidade e maior vendedora de celulares na época, demorou 5 meses para vender 100 mil unidades de seu fabuloso Nokia N900. Como a pequena Canonical quereria vender 50 mil em 30 dias?
Contudo, a pesar do iminente fracasso, a Canonical e a marca Ubuntu poderão lucrar. Com a campanha inédita e audaciosa, empresa e sistema operacional foram divulgados na mídia dos quatro cantos do mundo, incluindo meios não especializados em tecnologia como BBC, The Guardian, The Telegraph, Forbes, CNBC e O Globo, bem como mais de 110 mil compartilhamentos no Facebook. Tiveram até apoio da Bloomberg, que pagou o pacote de US$ 80 mil com 100 Ubuntu Edge. É marketing barato, que poderá criar frutos para o lançamento de smartphones com Ubuntu.
Mas enquanto você? Qual foi o motivo para não contribuir com a campanha?
[The Verge]