A Sensedia aproveitou a 11ª edição do API Experience (APIX), realizada em São Paulo, para reforçar seu reposicionamento estratégico em torno da inteligência artificial agêntica. Durante o evento, a companhia apresentou oficialmente sua proposta de AI Gateway, plataforma voltada à governança, controle e integração de agentes de IA, MCPs e Large Language Models (LLMs) em ambientes corporativos.
Com o tema “Construído para humanos. Reimaginado para agentes”, o keynote conduzido pelos cofundadores Kleber Bacili e Marcílio Oliveira defendeu que as empresas estão entrando em uma nova etapa da transformação digital, marcada não apenas pela automação, mas pela atuação autônoma de agentes inteligentes diretamente nos processos de negócio.

Em entrevista ao Guia do PC, Bacili explicou que a evolução da Sensedia de uma plataforma tradicional de API Management para um AI Gateway surgiu a partir da rápida aceleração da IA dentro das empresas. “Inicialmente, o uso era mais básico, para escrever um e-mail, criar um texto de marketing ou analisar um transcript. Mas, nos últimos 12 meses, com o avanço dos agentes de IA, vimos uma mudança importante. O ganho deixou de ser apenas ficar 10% mais produtivo em uma tarefa específica. Em muitos casos, passou a ser uma produtividade 10 vezes maior”, afirma.
Segundo o executivo, a principal mudança está no fato de que os agentes deixaram de apenas responder solicitações para executar ações diretamente nos sistemas corporativos. “Diferentemente do ChatGPT tradicional, que responde algo para o humano interpretar, o agente toma ações diretamente: busca dados, atualiza pedidos, abre crédito, executa processos”, explica.
Para a Sensedia, esse novo cenário exige uma revisão profunda da arquitetura tecnológica das empresas. “A arquitetura das empresas foi construída pensando na interação humana. Nós clicamos em telas, navegamos por dashboards, analisamos gráficos. Os agentes interagem de outra forma, via APIs e tecnologias como MCP, acessando ferramentas diretamente”, diz Bacili.

A empresa alerta que, sem governança adequada, a adoção massiva de agentes pode criar um “caos silencioso” dentro das organizações. “Um ser humano executa uma tarefa errada uma vez. Um agente pode repetir esse erro centenas de vezes em poucos minutos”, reforça o CEO.
Durante a apresentação, a Sensedia também chamou atenção para o conceito de “AI Agent Sprawl”, definido como o crescimento descontrolado de agentes de IA dentro das empresas. Com base em projeções do Gartner, a companhia afirmou que empresas Fortune 500 poderão saltar de 15 para 150 mil agentes ativos em apenas três anos. Entre os riscos apontados estão vazamento de dados, aumento imprevisível de custos, indisponibilidade de serviços e roubo de propriedade intelectual.
Outro ponto destacado pela companhia foi o impacto da IA sobre o mercado global de software corporativo. Segundo dados apresentados no keynote, mais de US$ 2 trilhões em valor de mercado teriam sido destruídos no setor de Enterprise Applications desde janeiro de 2026, pressionando empresas tradicionais de software como Adobe, Salesforce e Atlassian.
Como resposta a esse cenário, a Sensedia apresentou o AI Gateway como uma camada central de governança capaz de conectar APIs corporativas, ambientes multi-cloud, MCPs e diferentes modelos de IA sem dependência de um único fornecedor. A plataforma reúne recursos de autenticação, observabilidade, controle de tokens, roteamento multi-LLM e políticas de segurança para agentes autônomos.
Segundo Bacili, a tendência é que os agentes ganhem níveis crescentes de autonomia nos próximos anos. “Hoje, a maioria das empresas ainda está nos primeiros pilotos com agentes. Em muitos casos, os agentes ainda não são totalmente autônomos. Existe supervisão humana. Mas veremos agentes coordenando outros agentes de maneira mais dinâmica, e isso exigirá ferramentas cada vez mais robustas de governança e controle”, afirma.
Além da transformação tecnológica, a Sensedia também vem promovendo mudanças culturais internas para acelerar a adoção prática da IA entre os colaboradores. “Não basta existir uma área especializada que vai implementar tudo. As pessoas precisam desenvolver fluência no uso dessas ferramentas. A transformação precisa acontecer de dentro para fora”, diz o executivo.
A empresa criou iniciativas para estimular o uso cotidiano da IA, incluindo um canal interno chamado “AI Aha Moments”, no qual colaboradores compartilham experiências práticas envolvendo ferramentas de inteligência artificial. “Muitas vezes, o problema não é ceticismo. É falta de tempo ou receio de não saber usar”, conclui Bacili.









