A aprovação do Projeto de Lei 1680/2025 pela Câmara dos Deputados, que institui a Política Nacional de Data Centers, representa um marco importante para a estratégia brasileira de desenvolvimento da economia digital. A proposta reconhece os data centers como infraestrutura essencial para sustentar a transformação digital, a expansão da inteligência artificial (IA) e a competitividade do país em um cenário global cada vez mais orientado por dados.
O tema ganha relevância em um momento de crescimento acelerado da demanda por capacidade computacional, impulsionada pela adoção de inteligência artificial, computação em nuvem e digitalização de serviços públicos e privados. Nesse contexto, os data centers deixam de ser apenas instalações tecnológicas e passam a ocupar posição estratégica para o desenvolvimento econômico, a inovação e a soberania digital.
Para Leonardo Senra, Chief Revenue Officer (CRO) da Omid Solutions, a aprovação da proposta representa um reconhecimento formal da importância dessa infraestrutura para o futuro do país.
“A aprovação do PL 1680/2025 representa um passo importante para que o Brasil trate data centers como infraestrutura estratégica de Estado. Na economia digital e na era da inteligência artificial, capacidade computacional, energia e dados são ativos tão relevantes quanto rodovias, portos e redes elétricas”, afirma o executivo.
A discussão também se conecta diretamente ao fortalecimento da soberania digital brasileira. O conceito, que vem ganhando espaço em diversos países, está relacionado à capacidade de desenvolver competências locais, manter controle sobre ativos estratégicos e reduzir vulnerabilidades decorrentes da dependência excessiva de infraestrutura externa.
Segundo Senra, “Os países mais avançados já compreenderam que soberania digital não significa isolamento tecnológico, mas a capacidade de manter no país o controle operacional sobre dados, aplicações e infraestruturas críticas. A Europa vem avançando nesse debate por meio de iniciativas de soberania digital justamente para reduzir riscos de dependência externa e fortalecer sua competitividade”.
A mesma visão tem sido defendida pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES). Durante workshop promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) sobre a Política Nacional de Economia de Dados, Marcelo Almeida, diretor de Relações Governamentais da associação, destacou que “Soberania não é dominar cada elemento da cadeia em solo nacional, mas ter a expertise para fazer a diferença onde somos bons”.
As duas avaliações convergem para um entendimento cada vez mais presente nos debates internacionais: soberania digital não significa autossuficiência tecnológica absoluta, mas sim a capacidade de desenvolver competências estratégicas, atrair investimentos, fortalecer a inovação e garantir autonomia sobre infraestruturas consideradas críticas para o desenvolvimento nacional.
Nesse cenário, o Brasil reúne características que podem favorecer seu posicionamento como um dos principais polos globais de infraestrutura digital. A disponibilidade de energia, a crescente participação de fontes renováveis na matriz elétrica e a expansão da conectividade são apontadas como diferenciais competitivos para a atração de investimentos em data centers e operações de processamento de dados de grande escala.
“O Brasil possui uma oportunidade histórica. Temos matriz energética competitiva, abundância de energia renovável e condições de nos tornarmos um dos principais hubs globais de infraestrutura digital. Para isso, é fundamental que a política pública estimule investimentos de longo prazo e fortaleça o desenvolvimento de capacidades locais de processamento, armazenamento e operação de dados”, afirma Senra.
A consolidação dessa agenda também está diretamente relacionada ao avanço da inteligência artificial. À medida que empresas e governos ampliam o uso de modelos avançados de IA, cresce a necessidade de infraestrutura capaz de processar, armazenar e movimentar grandes volumes de dados de forma segura, eficiente e sustentável.
Para Marcelo Almeida, esse movimento exige que inovação e tecnologia sejam tratadas como prioridades permanentes do Estado brasileiro. Como destacou o executivo, “A inovação e o desenvolvimento tecnológico precisam ser política pública do Estado brasileiro”. Segundo ele, “Inovação e desenvolvimento tecnológico são os catalisadores para alcançarmos novos patamares de desenvolvimento nacional e não sermos reféns de tecnologias estrangeiras”.
A aprovação da Política Nacional de Data Centers sinaliza um avanço importante nessa direção. Ao reconhecer a infraestrutura digital como elemento estratégico para o desenvolvimento econômico e tecnológico, o Brasil fortalece as bases para ampliar sua capacidade de processamento de dados, acelerar a adoção da inteligência artificial, atrair investimentos e consolidar uma agenda de soberania digital alinhada aos desafios da nova economia global.
Como resume Leonardo Senra, “Data centers deixaram de ser apenas infraestrutura de tecnologia. Eles são infraestrutura de soberania, de desenvolvimento econômico e de inteligência artificial”.









