Hoje é dia de mais uma análise do Ubuntu, o sistema operacional GNU/Linux mais usado no desktop. Será que a nova versão 14.04 LTS, codinome é “Trusty Tahr” ou “Cabra Selvagem de Confiança”, consegue superar seus antecessores?
Para sabermos se a nova versão do Ubuntu vale o tempo de download gasto o Guia do PC preparou uma análise diferenciada, em duas partes.

Uma versão de suporte longo
Ubuntu 14.04 é uma versão LTS (Long Term Support). Isso quer dizer que o suporte é de longa duração, de 5 anos (nesse caso, até 2019), diferenciando-se das versões intermediárias, com suporte de 9 meses.
As versões de suporte longo costumam ser mais estáveis. A razão é o princípio do “em time que está ganhando não se mexe”. Sem grandes novidades o sistema não corre o risco da imprevisibilidade e pode ainda, por consequência, ser um sistema voltado não só para os usuários domésticos, mas corporativos.
Ubuntu 14.04, então, não apresenta novidades significativas. Mas não quer dizer que não tenha.
Menus integrados
Sabe os menus integrados com a barra superior? Agora é possível anexá-lo à barra das janelas. A opção não está ativa por padrão, mas sem dúvidas é uma alternativa mais prática, pois não é preciso levar o mouse até a barra superior ou mesmo confundir com o menu de outra janela.

Ícones menores e escala maior
No novo Ubuntu é possível reduzir o tamanho dos ícones da barra lateral para o tamanho 16. Ubuntu 12.04 LTS, por exemplo, o mínimo é o tamanho 32.
A escala pode ser alterada também, conseguindo agora adaptar-se aos monitores de alta resolução, como o Retina Display da Apple.
Redimensionamento em tempo real
Não aparece mais o retângulo laranja na janela a ser redimensionada. A janela será modificada e já é possível ver o resultado. Isso facilita muito.
Melhorias estéticas
A Canonical reduziu o serrilhado das janelas. Além disso, as bordas foram totalmente retiradas, deixando o visual mais limpo e esteticamente bonito.

A tela de desbloqueio agora é a mesma tela de login (Uau! Como não pensaram nisso antes?).
Unity Spread
Digamos que você tenha muitas janelas abertas ao mesmo tempo. Ao apertar “Super Tecla + W” será mostrado tudo que está aberto. Para facilitar a Canonical adicional uma função que filtra as janelas segundo o digitado. Por exemplo: aberto o Terminal, o Firefox com o Guia do PC e o gerenciador de arquivos aberto na pasta Músicas, caso seja digitado “terminal”, será mostrado o Terminal. Digite “Guia” e será mostrado o Firefox.

TRIM
No novo Ubuntu a função TRIM (explicada nessa postagem do Guia do PC) está ativada por padrão para SSD Intel e Samsung, duas das principais fabricantes
O ideal era que todas as marcas de SSD o TRIM estivesse ativo, pois ligá-lo não é fácil para usuários comuns. É um verdadeiro malabarismo técnico.
Kernel 3.13
O kernel usado pelo sistema da britânica Canonical é o 3.13, que traz como novidade a substituição do firewall iptables pelo nftables, que funciona da mesma forma.
O gerenciamento de energia está com a mesma eficiência de versões anteriores e a regressão ocorrida no kernel 3.10, que não apareceu em nenhum Ubuntu, foi corrigida (veja OpenBenchmarking.org).

Desempenho
Interface Unity está mais rápida. A Canonical a cada versão está conseguindo deixá-la mais leve e fluida. Quanto ao consumo de recursos, o sistema consegue rodar em computadores medianos com muita desenvoltura. Para ter uma ideia, o Ubuntu 14.04 está consumindo por volta de 350 MB de memória RAM assim que inicia.

Contudo, segundo os testes do site Phoronix, Ubuntu 14.04 LTS tem o desempenho geral com disparidades se comparado aos Ubuntu anteriores. Ora o sistema é melhor que seus antecessores, ora um pouco pior.
Quanto ao desempenho gráfico, hardware AMD e NVIDIA possuem o desempenho semelhante ao do Windows 8.1, deixando a afirmação de que Linux não serve para alto desempenho gráfico de lado. Porém, o hardware Intel se sai muito melhor no Windows.
Sem Ubuntu One, Mir ou Unity 8
Nova versão do sistema marca o enterro do Ubuntu One, o serviço de armazenamento na nuvem da Canonical. A praticidade de compartilhamento e uso com menus integrados não será mais vista. A empresa britânica afirmou que não poderia concorrer com serviços como Dropbox e Google Drive.
O substituto do servidor gráfico X, o Mir, também não apareceu. Obviamente por se tratar de uma versão LTS. O Mir provavelmente só chegará ao mercado junto com o Unity 8 e o Ubuntu para smartphones e tablets. Com Mir e Unity 8 a Canonical tentará integrar todos os dispositivos.

Então, vale a pena instalar o Ubuntu 14.04 LTS?
Sim, mas com asteriscos. Vai depender se é usuário corporativo ou usuário doméstico com o Ubuntu 13.10 ou 12.04 instalado.
Se no computador está instalado o Ubuntu 13.10, instale o Ubuntu 14.04 logo. Se possui o Ubuntu 12.04 LTS, quer dizer que quer estabilidade, já que não instalou duas versões intermediárias. Então aguarde mais algumas semanas, pois eventuais bugs não detectados em testes poderão aparecer e certos programas poderão não funcionar direito.
Computadores corporativos não devem ser atualizados. Apesar das melhorias e atualizações de programas, o Ubuntu 14.04 LTS não traz benefícios significativos a ponto de sair de uma situação estável e bem resolvida. Em empresas, Ubuntu 12.04 não deve ser atualizado tão cedo, podendo aguentar com tranquilidade até o final de seu suporte, em abril de 2017. Somente em um computador novo, que a empresa está comprando agora, o Ubuntu 14.04 LTS deve ser usado.

Ubuntu 14.04 é multi-idioma e pode ser baixado no site oficial:
- Download | ISO Ubuntu 14.04 LTS
- Download | Torrent Ubuntu 14.04 LTS
Esta análise continua. Não perca a segunda parte por nada: