Pesquisa com 919 líderes de tecnologia mostra que monitoramento de modelos, integração de ferramentas e excesso de dados estão entre os desafios para colocar IA em produção
A rápida adoção da inteligência artificial pelas empresas está criando uma nova camada de complexidade para as equipes responsáveis por manter sistemas e aplicações funcionando. Monitorar modelos de IA, integrar novas ferramentas e controlar um volume crescente de dados estão entre os desafios identificados pelo estudo The State of SRE and Platform Engineering 2026, da Dynatrace.
A pesquisa ouviu 919 líderes e profissionais seniores de TI envolvidos com engenharia de confiabilidade de sites (SRE), engenharia de plataformas ou operações de tecnologia em grandes empresas. O levantamento indica que, à medida que aplicações de IA deixam os projetos experimentais e chegam aos ambientes de produção, essas equipes passam a assumir também a responsabilidade por sua confiabilidade, desempenho e escalabilidade.
Entre os profissionais de SRE entrevistados, 67% apontam o monitoramento de modelos de IA como seu principal caso de uso. Já 58% utilizam recursos de IA para acompanhar o desempenho e a precisão desses modelos.
O desafio está no fato de que sistemas de inteligência artificial podem apresentar problemas diferentes dos encontrados em softwares tradicionais. Alterações no comportamento dos modelos, resultados inconsistentes, custos de inferência e riscos relacionados aos dados exigem novas formas de monitoramento.
IA aumenta a complexidade das operações
A pesquisa mostra que as práticas de SRE e engenharia de plataformas já estão consolidadas em boa parte das grandes organizações. Entre as empresas pesquisadas, 92% afirmam que suas iniciativas de SRE contam com apoio da liderança executiva.
Na engenharia de plataformas, 89% das organizações que adotam a prática já implementaram uma plataforma interna para desenvolvedores (IDP). Em 60% delas, essas plataformas apresentam ampla adoção entre diferentes departamentos.
As duas áreas também estão cada vez mais próximas: 73% das equipes de SRE e engenharia de plataformas colaboram e compartilham responsabilidades relacionadas à confiabilidade e às plataformas utilizadas pelos desenvolvedores.
A chegada da IA, entretanto, adiciona novas exigências a essa estrutura. Embora as ferramentas estejam atendendo às expectativas em áreas como confiabilidade e produtividade dos desenvolvedores, os resultados relacionados à redução de custos e à diminuição do tempo médio de resolução de incidentes (MTTR) ainda ficam abaixo do esperado, segundo o levantamento.
Outro problema é a quantidade de informações que precisam ser acompanhadas. Quase metade dos profissionais de SRE afirma que o excesso de fontes de dados e métricas dificulta a definição e o gerenciamento de objetivos de nível de serviço, os chamados SLOs.
Integração de ferramentas ainda é obstáculo
Entre os engenheiros de plataformas, 37% apontam a integração com ferramentas e sistemas existentes como seu principal desafio. Apenas 40% afirmam incorporar recursos de observabilidade em todas as etapas de implementação.
Ao mesmo tempo, 55% desses profissionais têm como prioridade oferecer aos desenvolvedores ferramentas baseadas em IA, incluindo copilotos de programação e chatbots.
A automação também começa a avançar para a resposta a problemas. Metade dos profissionais de SRE pesquisados já utiliza recursos baseados em inteligência artificial para automatizar respostas a incidentes.
Para a Dynatrace, esse movimento aumenta a importância da observabilidade, já que sistemas automatizados precisam de informações sobre o ambiente para determinar quando uma intervenção é necessária e qual ação deve ser executada.
“SRE e engenharia de plataformas estabeleceram as bases para a confiabilidade digital moderna, mas a Inteligência Artificial está reescrevendo as regras. As empresas precisam agora deixar de apenas gerenciar sistemas e passar a orquestrá-los, conectando observabilidade, automação e IA agêntica para operar na velocidade exigida por essas iniciativas, transformando insights em ações em escala”, afirma Steve Tack, Diretor de Produtos (Chief Product Officer) da Dynatrace. “Esta pesquisa também reflete porque anunciamos recentemente nossa intenção de adquirir a Arize. As equipes de engenharia de Inteligência Artificial têm realizado avaliações em um conjunto de ferramentas, enquanto as equipes de operações monitoram em outro, e essa lacuna não é mais sustentável à medida que a IA avança cada vez mais para a produção empresarial.”
Américas avançam na automação
O levantamento também identificou diferenças regionais. Nas Américas, grupo que reúne Estados Unidos, Brasil e México na pesquisa, 57% das organizações relatam detecção e resposta mais rápidas a incidentes com seus programas de SRE. O percentual é de 49% na Ásia-Pacífico e 43% na região EMEA.
Na disponibilidade dos serviços, 54% das organizações das Américas apontam melhorias, contra 48% na Ásia-Pacífico e 45% na EMEA.
A automação também aparece na conformidade. Entre os participantes das Américas, 67% afirmam integrar requisitos regulatórios à infraestrutura em suas práticas de SRE. Na engenharia de plataformas, esse percentual chega a 72%.
Apesar do avanço, a padronização permanece um problema. Para 46% dos engenheiros de plataformas das Américas, manter padrões entre diferentes equipes é o principal obstáculo, percentual superior aos 26% registrados tanto na EMEA quanto na Ásia-Pacífico.
O The State of SRE and Platform Engineering 2026 foi produzido a partir de uma pesquisa conduzida pela Y2, parceira da Qualtrics, em nome da Dynatrace, entre outubro de 2025 e janeiro de 2026. Participaram 919 profissionais de empresas com receita anual de US$ 500 milhões ou mais, distribuídos pelas Américas, EMEA e Ásia-Pacífico.








