Uma distribuição que cresceu bastante nos últimos meses no ranking do DistroWatch é o Linux Mint, atualmente em terceiro lugar, abaixo apenas dos gigantes Ubuntu e openSUSE. Apesar de ocupar o top 3, a julgar pelo movimento do fórum em português da distribuição, dá para perceber claramente que o Mint não é tão difundido aqui no Brasil quanto seu irmão Ubuntu. Peraí, irmão Ubuntu? Sim, o Linux Mint é uma distribuição baseada no Ubuntu!
O Linux Mint foi testado pelo Guia do PC com base na versão 5.0 (codinome ‘Elyssa’), com GNOME 2.22, baseado no Ubuntu 8.04 Hardy Heron, num computador low-end (mais precisamente um Pentium 4 2.8 GHz com 512 MB de RAM e GeForce MX4000).
A distribuição irlandesa traz várias mudanças em relação ao Ubuntu, partindo mais para o conceito de “instalar e sair usando”, com plugins de navegadores, vários codecs, suporte a leitura de DVDs, Java e muitos outros, além de um desktop altamente personalizado para a distribuição e várias ferramentas gráficas exclusivas da distribuição, como o mintAssistant, um assistente bem básico que permite que usuários leigos (ou que gostam do jeitão “apontar e clicar”) configurem o sistema, habilitando senha de root (exato, ele não vem com senha de root por padrão) e as mensagens que aparecem quando o terminal é aberto, como esta aqui:

Outra ferramenta básica bem legal é o mintBackup que, com um simples clique, gera um backup do seu diretório pessoal, com direito a inclusão de arquivos ocultos, como o seu perfil do Mozilla Firefox, onde estão armazenadas suas senhas e cookies.

Mas do que adianta um backup se você não pode restaurar? Felizmente, para restaurar, basta dar um duplo-clique no arquivo *.backup criado e… bingo! O mintBackup se abre novamente, com um botão de restaurar. Grande sacada dos desenvolvedores da distribuição. Coisas simples às vezes impressionam.

Usuários que já instalaram o Ubuntu com sucesso certamente não terão problemas para instalar o Mint, que traz um assistente de instalação semelhante ou até igual ao da distribuição da Canonical. O assistente não faz muitas perguntas e tem a conhecida função de importar arquivos da sua instalação do Windows.



Apesar de o instalador me alertar duas vezes sobre um possível travamento que pode ocorrer na instalação do gerenciador de boot GRUB em partições XFS, não dei bola. Afinal, já instalei várias distribuições com GRUB em XFS. Adivinha o que aconteceu? Sim, travou! Por isso, se for instalar o Mint em uma partição XFS, utilize o bom e velho LILO ou dê preferência para partições JFS, ReiserFS ou Ext3. Você está avisado!
Após a instalação, dá para notar que a distribuição é bem rápida, consumindo poucos recursos do sistema e respondendo rapidamente na abertura de programas (e é possível perceber isso até no LiveCD). O ambiente gráfico GNOME também não demora duzentos anos para ser iniciado, como ocorre em algumas distribuições por aí… O consumo de memória RAM num uso típico, com Mozilla Firefox 3.0 com quatro abas abertas, mensageiro instantâneo Pidgin e player de vídeo Totem, geralmente fica entre 250 e 350 MB. Uma marca razoável.
A arte gráfica do Mint é bem feita, trazendo modificações em papéis de paredes, ícones, bootsplashes, telas de carregamento (loading) de softwares e tema do Firefox: o Tango com um aspecto esverdeado, característica da distribuição.
Além disso, a distribuição foi um pouco além e também modificou o menu, criando assim, o mintMenu. O mintMenu é uma espécie de menu tudo-em-um, semelhante ao conhecido Kickoff, encontrado no novo KDE 4.


Outros dois aplicativos que merecem destaque são mintInstall e mintUpdate. O mintInstall facilita ainda mais a vida dos usuários, e se propõe a instalar programas com um clique no mouse, procurando pela internet pacotes .mint, do Portal de Software da distribuição, pacotes .deb por meio do excelente site GetDeb.net e os pacotes tradicionais (que também são .deb), encontrados nos repositórios do Mint e do Ubuntu. No Portal de Software, é possível encontrar softwares como Skype, Google Earth, Opera, DVD Rip, Picasa… E você pode instalá-los facilmente. Nada de next, next, aceita contrato sem ler, next, espera, finish, abre o programa.

O mintUpdate nada mais é do que um gerenciador de atualizações de pacotes, encontrado no Ubuntu, por exemplo, levemente modificado. Entre outras coisas, traz o nível de prioridade da atualização, que varia de 1 a 5. Se uma falha crítica for encontrada, ela é classificada com um nível maior de prioridade (óbvio).


A seleção de softwares também é um pouco diferente: ele traz o Thunderbird, contrariando as distribuições GNOME comuns, que geralmente trazem o Evolution como leitor de e-mails. O MPlayer se encarrega de abrir arquivos de filmes e DVDs, sem contar a integração com o Firefox, permitindo que o usuário utilize normalmente sites que utilizam tecnologia Windows Media, por exemplo.
Conclusão
O Linux Mint é o Ubuntu com várias melhorias. Não que as ferramentas exclusivas sejam uma coisa “nossa, por que ninguém inventou isso antes?!“, mas ajudam (e muito) a vida do usuário. Basicamente, o Mint é uma boa distribuição para quem quer menos trabalho depois da instalação, pois traz codecs de áudio e vídeo comuns (como MP3, que outras distribuições não trazem por questões de patentes), e é possível encontrar vários softwares bons no site da distribuição. A questão “Visual” é pessoal, mas não dá para negar que, na configuração padrão, é melhor que muitas outras distros, principalmente se compararmos ao tema marrom-alaranjando do Ubuntu. Para melhorar, vem com os efeitos gráficos do Compiz Fusion: basta ter uma placa de vídeo e um driver 3D instalado para que ela funcione.
Se você quer uma distribuição rápida, estável e prática, vale a pena testar o Linux Mint!